Passados dois meses de novo
governo, algumas ações já podem ser vislumbradas, embora seus escassos
resultados já deixam a população um tanto irrequieta. Logicamente que é pouco
tempo. Isso grande parte concorda.
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Alunos perfilados exercitam o hino nacional em escola do Distrito Federal |
Já vimos ações na segurança pública
com o novo ministro encaminhando seu projeto anticrime; na área econômica o
ministro anuncia com alarde a reforma previdenciária; na área ambiental uma
faxina na superintendência do Ibama; etc e tal...
Mas o que mais chamou a
atenção na última semana foi a primeira ação do ministro da educação: sugerir às
escolas o cântico do hino nacional, sendo o mesmo gravado sob a forma
de vídeo e encaminhado ao ministério em Brasília.
Vamos ler o interessante conteúdo:
“Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos
tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na
nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a
nova geração.
Brasil acima de tudo. Deus acima de todos! ”
Ricardo Velez Rodriguez
Prezados Diretores, pedimos que no
primeiro dia de volta às aulas, seja lida a carta que segue em anexo nesta
mensagem, de autoria do Ministro da Educação, professor Ricardo Velez
Rodriguez, para professores, alunos e demais funcionários da escola, com todos
perfilados diante da bandeira do Brasil (se houver) e que seja executado o hino
nacional.
Solicita-se por último, que um
representante da escola filme (pode ser com celular) trechos curtos da leitura
da carta e da execução do hino nacional. E que, em seguida, envie o arquivo de vídeo
(em tamanho menor do que 25 MB) com os dados da escola (nome, cidade, número de
alunos, de professores e de funcionários) para os seguintes endereços eletrônicos:
Sou a favor de que se conheça
o hino nacional, coisa que muitos ignoram, incluindo autoridades e pessoas de
destaque. Tem gente que não passa da primeira estrofe. E o aprendizado desde as
series iniciais faz parte da nossa formação cidadã.
Mas honestamente, seria
trágico não fosse cômica a atitude ministerial.
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Grande parcela das Escolas Públicas está totalmente sucateada |
Sabedores que somos das péssimas
condições da educação nacional, da estrutura precária da grande maioria das escolas
públicas brasileiras, é impensável que uma autoridade escolhida para realizar
uma transformação naquilo que deve ser considerada questão fulcral no nosso
desenvolvimento, aja desta maneira.
Cá com os meus botões, fiquei
imaginando o momento em que essa ideia foi gerida ali no gabinete ministerial.
Me parece que houve por parte do ministro uma preocupação em se fazer saliente
na equipe presidencial. De certo, imaginou ele, o ano letivo seria inaugurado
por uma enxurrada de vídeos que lotaria a caixa de mensagens do ministério. E
seriam tantos que o ministro convidaria o presidente para assisti-los em seu
gabinete, e glorioso diria:
Viu, presidente? Estamos
abafando! O que achou desta minha ideia?
Mas, como qualquer ideia
pouco refletida, carregada de esnobismo e de vaidade, o hino nacional cantado por
alunos, professores e funcionários, e filmado pelo representante da escola
transformou-se em nitroglicerina pura. Foi mote poderoso para os meios de comunicação
sempre atentos a tudo que Brasília irradia constantemente.
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O ministro Ricardo Velez reconheceu o erro e voltou atrás em sua decisão |
Analisando o fato em si,
pode-se denotar que a princípio a pasta da educação se mostra um tanto
desorientada. Fiz algumas investidas no histórico do professor Ricardo Velez e analisando
seu Currículo Lattes percebe-se formação razoável, com atuações discretas em instituições
de ensino reconhecidas nacionalmente, com ênfase maior em graduações de
filosofia e teologia. Mas o que salta aos olhos neste histórico do Lattes é a
pouca experiência com as questões técnicas, didáticas e pedagógicas do Ensino
Básico. Não que isso seja imprescindível na situação do cargo. Mas para quem
está imbuído na resolução de problema tão complexo quanto a educação
brasileira, certamente a ausência deste conhecimento vai fazer muita diferença.
Os críticos de plantão poderão
argumentar que se ele se cercar de especialistas, tem possibilidade de fazer um
bom ministério. Mas ainda assim, mesmo atuando há tempos em território brasileiro,
sua nacionalidade colombiana pode dificultar o entendimento das exigências e da
nossa educação em sua essência. Sem contar que para uma gestão eficaz e de resultados consistentes, se faz necessária uma experiência concreta na condução de projetos pedagógicos sólidos e que busquem indicadores similares aos de Suécia, Dinamarca, Coreia do Sul e outros modelos de sucesso.
Mas, vamos dar tempo ao
tempo! Quem sabe este não seja um pequeno lapso de principiante no cargo.
Sejamos como Santo Agostinho:
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