09 dezembro 2017

VIVENDO EXTREMOS


O brinquedo Montanha Russa permite vivenciar as 
forças centrífugas e centrípetas
Em meus tempos de Ensino Médio, quando por primeira vez tive contato com as Ciências Exatas, uma das coisas que mais me intrigava eram alguns modelos antagônicos da Física, por exemplo. E uma delas eram as pressões sofridas por um corpo por causa de movimentos circulares, tanto no sentido de puxar para o centro da trajetória quanto no sentido de empurrar para fora. Eram as chamadas “Força Centrípeta”, que puxa para dentro, e “Força Centrífuga”, que empurra para fora.
Depois, quando me envolvi com o Desenho Técnico, outros elementos construtivos se sobressaíam e também me catalisaram: as superfícies “côncavas” e as superfícies “convexas”. Em termos de uso para lentes, por exemplo, o resultado é fantástico, pois uma amplia a imagem e outra comprime. Enquanto a superfície côncava se curva para dentro, a convexa se curva para fora. Uma questão de “Ótica” enquanto ciência. 
Na ciência Ótica as lentes Côncava e Convexa ampliam e reduzem imagens 
Mas porque estou aqui hoje destacando estes conhecimentos científicos, que muitos de vocês certamente pouco valor vão debitar? Quero lhes dizer que com isso aprendi a analisar “os extremos”: força centrípeta X força centrífuga; superfície côncava X superfície convexa. 
Mas e onde está a importância de tudo disso? 
Pois bem, na medida em que a idade foi avançando percebi a existência destes extremos também na vida da sociedade. Ou seja, na vida social podemos comprovar essa mesma realidade. Nesta semana, dois eventos que tomaram as notícias nacionais me remeteram àquela época em que me envolvi com estas questões de Física e de Ótica. 
A esposa do ex-governador Sérgio Cabral, presos no RJ, recebeu um
anel de cerca de 400 mil reais de propina de empreiteiro
A primeira foi o depoimento do empreiteiro Fernando Cavendish relatando a compra, a pedido do governador Sergio Cabral, de um anel de 220 mil euros (cerca de 846 mil reais) para presentear a primeira dama carioca, sua esposa Adriana Anselmo. Um valor que espanta qualquer um de nós mortais que vive correndo atrás da sobrevivência dia após dia.
Mas como sempre, assim como esse caso absurdo do anel presenteado, havia o “convexo”, ou a “força centrípeta”; ou ainda, o outro extremo. 
Na mesma semana, na capital de Goiás, dona Celina Lopes Teixeira, dona de casa desempregada e há dez anos sofrendo de dor de dente, apanhou um alicate e num ato de desespero pela dor sofrida tomou uma atitude radical: arrancou os dois dentes que lhe incomodavam. Fez isso depois de perambular por inúmeras unidades médicas da capital goiana sem conseguir atendimento. 
Desesperada pela dor
dona Celina Lopes Teixeira arrancou os dentes
com um alicate
Imediatamente essas duas notícias me remeteram ao passado e àquele aprendizado sobre “os extremos”. O anel da mulher do ex-governador Sérgio Cabral, recebido em forma de propina e os dentes arrancados em desespero por dona Celina Lopes Teixeira me fizeram lembrar do côncavo e do convexo, da força centrífuga e da força centrípeta. 
Pois nestas duas notícias da semana, ali estavam os “extremos”... Imaginem fazermos uma “experiência bizarra” para ver o resultado; o que diria dona Celina se fosse presenteada com um anel de quase quatrocentos mil reais, e a mulher do ex-governador, se diante de imensa dor fosse obrigada a arrancar os dentes por falta recursos financeiros e de atendimento na rede pública? 
Pois bem, isso fica mesmo somente na minha imaginação... Não sei se na de vocês também...

02 dezembro 2017

CUIDADO COM O SILÊNCIO


Administrar também é uma Arte
Administrar é verdadeiramente uma Arte. E quem administra precisa estar sempre atento às ciladas que muitas vezes podem apanhar o administrador de “calças curtas”. Ser surpreendido por situações ou atitudes inesperadas é comum para quem se acomoda achando que tudo está sob controle.

E dentre os erros mais comuns cometidos pelos administradores podemos citar:

a) Considerar que sabe tudo ou que de tudo entende: O Bom Líder ouve as pessoas à sua volta e procura saber a opinião delas.

Tirar um tempo para ouvir a Equipe é primordial
para um bom administrador
b) Mostrar a todos quem está no comando: A arrogância também pode acobertar incapacidades e defeitos do Líder. O verdadeiro Líder se impõe pelo exemplo e pelas atitudes.

c) Não dedicar tempo para conhecer seu Time: Muitas vezes o Líder acaba assumindo uma quantidade enorme de tarefas (que deveria delegar) porque entende que só ele consegue fazê-las. E com isso, se torna cego para enxergar as qualidade de sua Equipe.

d) Os Problemas se resolvem sozinhos: Há líderes que agem como o “avestruz” diante dos problemas. Ao invés de enfrentá-los, escondem a cabeça para não enxergar os problemas e acreditam que eles se resolvem por si.

Marlon Brando incorporando "O Poderoso Chefão"
no cinema
e) Acreditar que “está tudo dominado”: Há líderes que podemos classificar de “vaidosos”, e que acreditam que nunca existiu alguém com melhor desempenho do que ele. O silencio muitas vezes acoberta situações catastróficas.

Pois bem, estes são alguns dos erros mais comuns dos administradores, das lideranças. Poderia citar muitos outros ainda que comprometem uma boa administração e surpreende quando menos se espera.

A natureza nos dá mostra de que devemos estar muito atentos ao "silêncio" em qualquer oportunidade. E uma destas oportunidades aconteceu há treze anos atrás, no Tsunami de 2004 na costa do oceano Índico. Um terremoto de magnitude 9,3 na escala Richter (escala que mede a intensidade destes eventos) deu origem a movimentações oceânicas que provocaram cerca de 193.000 mortes. Só na Indonésia, país mais atingido, foram 127.000 mortes, 37.000 desaparecidos e cerca de 700.000 desalojados.
Tsunami 2004 na Indonésia: 193.000 mortos


Em março do ano de 2011 foi a vez do Japão sofrer algo similar, com magnitude de 9,1 na escala Richter. Foram cerca de 16.000 mortos e 2.500 desaparecidos. Além das mortes provocadas pelo Tsunami, a explosão da Usina de Fukushima espalhou radioatividade por toda a região nordeste da ilha. Os efeitos provocados pela radioatividade somente agora começam a aparecer, e certamente ainda vão gerar muitas mortes.

E as pessoas envolvidas na Defesa Civil destes países aprenderam que o “silêncio e a calmaria” é um dos sinais mais emblemáticos que antecipam uma tragédia. Nestes locais onde os eventos catastróficos ocorreram, muitas pessoas sequer acreditavam no que estava por vir. Alguns duvidaram dos alertas emitidos pelas autoridades locais.

Tsunami 2011 no Japão: 16.000 mortos
O que chamou a atenção na fase preliminar dos “maremotos” (ou Tsunami, como queiram) foi a calmaria no mar, sem ondas e um grande recuo das águas, expondo a areia escura e os crustáceos do fundo mar. Uma visão jamais vista. Outro sinal muito estranho para os habitantes locais e turistas foi a revoada intensa de pássaros que antecipou as duas tragédias. Tudo isso se tornou um grande aprendizado para as autoridades locais, no sentido de estarem mais bem preparadas para futuros eventos.

Portanto, para quem administra ou lidera é muito importante “ouvir a voz do silêncio”. Como comprovaram os povos asiáticos, há sinais imperceptíveis que precedem uma tragédia.

ENTÃO! Se você está percebendo este silêncio na empresa que administra, muito cuidado! Pode ser que o Tsunami seja questão de horas.

25 novembro 2017

NÓS VAMOS ACABAR COM O PLANETA


As frases de efeito trazem mensagens subliminares imperceptíveis
Me admiram os jargões utilizados e as campanhas de engajamento das torcidas no futebol mundial, toda vez que se está a beira de conquistas. Fico impressionado com as frases de efeito e a agressividade das expressões. E o pior ainda é que grande parte da torcida se deixa envolver por este clima ostensivo. São poucos aqueles que, dotados de bom senso, conseguem vislumbrar um certo “oportunismo” nestas atitudes do marketing esportivo. O interesse é claro, arregimentar o maior número possível de consumidores dos produtos clubísticos e associados para as equipes.  
Publicidade do clube incitando o torcedor
E neste momento em que o tricolor gaúcho disputa uma final de campeonato americano não podia ser diferente. Na primeira partida da decisão ficou muito evidente o lema da torcida gremista, a partir de um comentário de torcedor nas redes sociais ainda na Copa do Brasil. E as agencias de marketing viram nela uma ótima oportunidade para esta final de Libertadores:
“Nós vamo acabá com o Planeta!”
Eu já havia tecido uma crítica anos atrás a esse respeito, quando escrevi em abril de 2011 um artigo denominado “Um Convite à Guerra”. Naquela oportunidade o tricolor lançou uma campanha do “Exército Gremista”, incitando seus torcedores e se alistarem nesta empreitada de retorno do clube à elite do futebol. E o rival Internacional não deixava por menos, fazia a incitação da galera com uma imagem do zagueiro Guiñazu empunhando uma lança a frente de seu exército, bem naquele estilo “São Jorge”.
O rival colorado também idealizou
guerreiros em suas campanhas
Pois bem, em pleno século XXI, temos observado cada dia mais uma enxurrada de notícias capazes de chocar até mesmo que subitamente viajasse pelo tempo desde a Idade Média até nosso tempo. Exemplo maior de tudo isso é o “Estado Islâmico”, que para mostrar sua força é capaz de “decapitar” ou “queimar” soldados sequestrados, e até mesmo vítimas inocentes. Isso tudo registrado pelas câmeras e com as imagens distribuídas nas redes sociais. Não bastasse ainda, atentados a todo momento nas maiores capitais europeias com atropelamentos de turistas, assim como, atiradores anônimos a todo mês surpreendendo os habitantes do país mais desenvolvido do planeta.
Mas quando se vai ao cerne de tanta barbárie, numa sociedade que se diz contemporânea (ou pós-moderna, como queiram), os fatos tem relação com atitudes capazes de incentivar tudo isso. O marketing agressivo que invade nosso dia a dia, via televisão ou redes sociais, associado a um poder público ineficiente pela escassez de fiscalização e, comprovadamente corrompido pelos interesses individuais, torna a sociedade (principalmente seus jovens que ainda carecem de discernimento) refém de uma estrutura alimentada de ódio e preconceito. 
O resultado ao final da partida desta semana preocupa mesmo o Planeta
A mensagem subliminar destas campanhas é capaz de, ao mesmo tempo em que rende milhões ao negócio esportivo, criar uma leva de torcedores alienados. Muitos sequer imaginam o quanto são manipulados por estas campanhas, e aderem pelo mesmo processo fanático das religiões e das seitas que ao longo dos anos liquidaram muitas vidas.
No caso da campanha gremista atual, não somente a agressividade pode “acabá com o Planeta”, mas também as demonstrações de falta de cuidado com o meio ambiente traz preocupação. Basta ver como ficou o entorno do estádio após a partida desta semana. Se assim continuar, provavelmente não haverá planeta no futuro.
Sou tricolor pela influência de meu padrinho DELMO BRASIL, desde os idos da década de 1960. Velhos tempos do Olímpico. Gosto deste esporte e entendo-o com um espetáculo, tal como o cinema, o teatro, o circo, e não como um cenário de guerras e batalhas. 

18 novembro 2017

A NR10 E O RISCO ELÉTRICO

A NR10 passou por uma grande revisão no início
dos anos 2000
Na revisão que mudou a essência da NR10 no início dos anos 2000, por conta principalmente da privatização do sistema elétrico brasileiro durante o governo FHC, vários itens surgiram para tornar mais segura essas atividades.

As preocupações das autoridades públicas com o pouco conhecimento dos profissionais que agora assumiam atividades que outrora cabiam a funcionários especializados transformaram o texto da NR10 num conteúdo extremamente técnico. Por isso, foi exigida uma capacitação de todos os trabalhadores do setor, independente do tipo de formação, técnica ou superior. Todos foram obrigados a realizar o treinamento de NR10 – Básico e NR10 – Complementar, em caso de Alta Tensão.  

Também foram conclamados aqueles trabalhadores que atuavam na periferia das instalações elétricas, como os instaladores de sistemas de TV a Cabo, Redes de Internet, Telefonia Fixa e Móvel, sistemas de Refrigeração e de Segurança Patrimonial. A proximidade com o risco de “arco elétrico” também foi um elemento considerado para todos estes profissionais.

O Risco Elétrico dificilmente proporciona uma
segunda chance ao trabalhador
A partir da publicação da NR10 remodelada, os prazos de capacitação foram se esgotando, e hoje não se admite qualquer profissional destes citados acima atuar sem o treinamento específico. O risco elétrico, tal como o trabalho em altura e o espaço confinado, dá poucas chances ao trabalhador quando não existe o conhecimento de como ele se apresenta e pode impactar na preservação da vida. São inúmeros os acidentes que ainda ocorrem nestas áreas.

O trabalho com instalações elétricas, quando o trabalhador está em contato direto com a rede, ou nos serviços com eletricidade, no caso de instalações de aparelhos que dependem da energia elétrica para seu funcionamento, sempre se faz necessário a adoção da Análise Preliminar de Riscos. Ou seja, nada pode ser feito sem o devido planejamento. Uma reunião prévia com toda a equipe previne os riscos presentes nestas tarefas. E a participação de todos nas discussões sobre os riscos permite que não haja possibilidade de esquecimentos. Então, listados os riscos possíveis presentes nas atividades, é hora de adotar as medidas de proteção coletivas e individuais.

Os cursos de capacitação Básico e Complementar da NR10
são obrigatórios a qualquer profissional da área
Mas nada disso será efetivo se todos os equipamentos não passarem necessariamente por verificações periódicas de funcionamento. Um medidor de tensão com defeito pode ser letal quando não indicar a presença da mesma no momento da intervenção. Vestimentas de trabalho inadequadas também podem comprometer o aspecto preventivo. Cintos e talabartes sem inspeção e certificação podem resultar em quedas fatais.

Portanto, o conteúdo da NR10 traz inúmeros aspectos de segurança e prevenção desde a sua reformulação geral em 2005. Aspectos estes que estão presentes no conteúdo das capacitações Básica e Complementar, ambas de 40 horas. E os profissionais, assim como os empregadores, devem reconhecer o grande potencial de acidentalidade do risco elétrico, que na maioria das vezes não dá uma segunda chance aos que nele se envolvem.


11 novembro 2017

A POLÊMICA ESTÁ SÓ COMEÇANDO


A chamada modernização trabalhista está trazendo pontos 
polêmicos sem discussão com a sociedade
A data de hoje marca mais uma etapa importante na vida do trabalhador brasileiro. Começa a vigorar no país a nova legislação trabalhista, reforma essa que altera inúmeros pontos das relações entre empregado e empregador.
Neste momento, cabe lembrar aqui alguns conceitos que a Norma Regulamentadora nº 1 “Disposições Gerais” estabelece em seu texto, principalmente aqueles que destacam o papel de “Empregador” e “Empregado”. Vejamos o que diz lá:
Empregador: “Empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços”.
Empregado: “Pessoa Física que presta serviços de natureza não eventual, sob a dependência deste e mediante salário”.
A nova reforma pressupõe a negociação direta entre
Empregado e Empregador
Pois bem, analisando as partes destacadas dos conceitos acima, a reforma feita por este governo sequer foi trazida aos trabalhadores para negociação. Foi elaborada e aprovada sem maiores discussões a "toque de caixa", pois o que mais o governo necessitava no momento era justificar sua presença, diante da quantidade enorme de denúncias e escândalos persistentes. O Empregador, cujo conceito ressalta os riscos da atividade econômica, parece agora menos preocupado com o “lucro ou prejuízo”. Todavia, o Empregado, com a aprovação da terceirização ampliada, não terá mais uma “natureza de serviços tão eventual”.   
O Workshop desta sexta, dia 10, propiciou uma troca
de informações e conhecimentos sobre a nova lei
No Workshop de ontem, "Gestão Segura de Terceirizados" na Faculdade Factum, estivemos reunidos discutindo detalhes desta terceirização. Se fizeram presentes alguns profissionais interessados e preocupados com a questão. Foi quando o professor Pacheco, advogado competente e dedicado às questões da legislação trabalhista foi contundente: “A polêmica estão só começando!” Segundo ele, muita coisa ainda está por vir para que se tenha certeza da abrangência da reforma, de suas vantagens e prejuízos. 
Na sequencia muitas dúvidas e questionamentos surgiram em virtude da nova legislação. As perguntas demonstraram grande inquietação por parte dos gestores e professores que ali estiveram presentes. Questões relativas a contratos de trabalho de terceirização e outras demandas inerentes foram as que mais suscitaram interesse geral. 
Prof. Pacheco durante o Workshop:
"A Polêmica está só começando!"
O que se sabe é que a partir desta semana, alguns pontos polêmicos estarão convivendo com os Empregados e Empregadores, tais como: acordo coletivo, férias parceladas, fim da contribuição sindical obrigatória, homologação da rescisão na empresa, jornada parcial de trabalho, trabalho intermitente, trabalho home office, remuneração por produtividade e outras modificações. 
Todos são pontos polêmicos e que praticamente não foram discutidos e negociados com as categorias. 
Com relação ao fim da contribuição sindical, o próprio ministro do Trabalho estimou o desaparecimento de mais de três mil sindicatos. Isso é preocupante, pois acredito que o trabalhador só vai se dar conta da importância deste órgãos representativos de classe quando fizer as tentativas de negociação diretamente com o Empregador, como dispõe a nova lei. 
Como diz meu parceiro professor Pacheco, “A polêmica está só começando!”   

04 novembro 2017

MOTOCICLISTAS MAIS PROTEGIDOS

Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária os motociclistas
representam 37% das mortes e 56% dos feridos em acidentes no Brasil
Quando se fala em motocicletas como meio de locomoção, o quesito segurança é o primeiro a se destacar. E não é para menos: segundo o estudo Retrato da Segurança Viária no Brasil, divulgado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, os motociclistas representam 37% das mortes e 56% dos feridos em acidentes no Brasil. Nesse cenário, profissionais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveram uma série de testes a fim de verificar a qualidade e o desempenho de coletes e jaquetas com airbags (sistema de amortecimento de quedas e impactos para motociclistas), visando prover parâmetros às entidades regulatórias e garantir a segurança dos usuários.

O projeto, feito no âmbito do Qualimint – programa de qualificação técnica para aprimoramento de produtos do Núcleo de Atendimento Tecnológico à Micro e Pequena Empresa do IPT – e em parceria com a empresa Inflajack, contemplou duas linhas de pesquisa diferentes. A primeira envolveu a criação de métodos de ensaios para avaliação dos coletes e jaquetas infláveis produzidos pela empresa, enquanto a segunda tratou da viabilidade técnica da instalação de câmeras e GPS nos coletes, opção voltada mais ao atendimento de necessidades do mercado coorporativo.

A jaqueta com airbags surge como uma proteção adequada
Testes

Os ensaios de qualidade e desempenho, criados por profissionais do Laboratório de Tecnologia Têxtil, incluíram testes de resistência do tecido, solidez da cor à luz, repelência à água (em caso de chuva) e resistência à abrasão, este último focado no desempenho do colete e jaqueta em atrito com o asfalto. Além deles, também foram desenvolvidos ensaios relacionados ao insuflamento das bolsas de airbag inseridas nos coletes – esses de função primordial para o funcionamento do sistema em caso de queda ou colisão do motociclista.

“Primeiramente foram feitos testes de tração no cabo que prende a jaqueta ou colete à moto, cuja função é acionar o gatilho que insuflam as bolsas de airbag quando a pessoa é ejetada da motocicleta. Avaliou-se a força necessária para que isso ocorresse”, explica Gabriele Paula de Oliveira, pesquisadora do laboratório. “Também se determinou, por microfilmagem, o tempo que as bolsas de airbag levavam para inflar e desinflar, além do período de ele permanecer inflado”.
 
Acidentes com motociclistas são os mais letais do trânsito brasileiro
Os processos e diretrizes foram criados seguindo as metodologias definidas pela Normativa Europeia EN 1621-4:2013. Atualmente no Brasil, as normas gerais de segurança para motociclistas – determinadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) – e específicas para trabalhadores que utilizam motocicletas – definidas pelo Ministério do Trabalho – ainda não estabelecem a obrigatoriedade do uso de jaquetas e coletes com airbags, e, também por essa razão, o número de fabricantes é escasso. Segundo a pesquisadora, um dos objetivos do projeto foi criar parâmetros para que tanto empresas quanto órgãos regulatórios possam produzir ou exigir itens com qualidade e alto desempenho no mercado, a fim de garantir a segurança do usuário.

“Hoje, a Contran 356 define alguns parâmetros obrigatórios relacionados ao conforto, à ergonomia, à etiquetagem, às instruções de utilização e, principalmente, ao material retrorefletivo em coletes e jaquetas, que é a parte mais importante da norma porque torna o motociclista visível no trânsito”, diz Gabriele. “Ainda não há uma legislação no Brasil para coletes e jaquetas com airbags, mas eles já são comercializados e utilizados por alguns setores, como agentes de trânsito, SAMU e Corpo de Bombeiros. A legislação para esse tipo de material é importante, pois garante uma segurança adicional ao trabalhador e ao usuário comum”, avalia.

Monitoramento

Instituto de Pesquisas Tecnológicas, onde as pesquisas são desenvolvidas
Buscando agregar inovação ao produto, o projeto junto à Inflajack envolveu um segundo trabalho, que visou estudar a viabilidade técnica para a implantação de câmeras com GPS nos coletes infláveis. Isso porque a demanda por esse serviço, semelhante às câmeras instaladas em viaturas policiais, seria interessante a empresas com funcionários motociclistas. “Instalar um equipamento capaz de filmar o trabalho do funcionário e, ao mesmo tempo, de localizá-lo no espaço, torna possível utilizar as informações obtidas para o treinamento de novos funcionários, esclarecimento dos fatos e auxílio rápido em caso de acidentes e também para monitoramento e gestão, a fim de garantir que as atividades solicitadas pela empresa são realizadas corretamente”, elenca Alessandro Santiago, pesquisador da Seção de Automação, Governança e Mobilidade Digital do IPT.

Nessa parte do projeto, foram testados alguns equipamentos como câmeras e baterias – a ideia era que o colete tivesse uma autonomia de carga de oito a 12 horas e fosse recarregável – e feita uma pesquisa por softwares que pudessem ser alimentados e geridos com as informações de imagem e localização fornecidas pelas câmeras. Santiago conta que os resultados apresentaram alguns obstáculos para a implantação da tecnologia. “Em termos tecnológicos, é plenamente possível e viável. O empecilho é o modelo de negócios. É uma tecnologia usada fora do Brasil, mas com equipamentos de custo elevado e utilidades específicas. Aqui, seria preciso avaliar exatamente o custo-benefício dos equipamentos com relação à atividade em que serão aplicados”, explica o pesquisador.


Fonte: IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas 

28 outubro 2017

UM NOVO SURREALISMO

As obras de Salvador Dali chamaram muito minha atenção. Meu primeiro
contato com o Surrealismo.
Há tempos tenho notado essa palavra na boca de muita gente... (Surreal). E como já ultrapassei as seis décadas de vida, poucas vezes a tinha ouvido antes. Por isso, a estranheza do uso recorrente me fez intensificar a pesquisa sobre o que ela realmente significa. Assim, me fui ao léxico (dicionário) com dedicação. 

O “Surrealismo" foi um movimento artístico e literário nascido em Paris na década de 1920. Reuniu artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e ganhou dimensão mundial. Foi influenciado pelas teorias de Freud e enfatizou o papel do inconsciente na atividade criativa. Eu diria, como pouco conhecedor do movimento, foi uma “ideia muito doida”. Lembro que quando tive contato com as primeiras obras deste período fiquei impressionado. Era um novo período que objetivava contradizer o “racionalismo”. 


Mas, segundo o Houaiss (dicionário da língua portuguesa), “surreal” é um adjetivo de dois gêneros que denota estranheza, transgressão da verdade sensível, da razão, ou que pertence ao domínio do sonho, da imaginação, do absurdo. Também diz ele poder ser um substantivo masculino que traduz “aquilo que se encontra para além do real”.      
Algumas películas da TV e Cinema na minha adolescência
foram importantes para entender o surreal 

Nos meus tempos de juventude, para além do real estavam os contos de Grimm e a saga cinematográfica de O Planeta dos Macacos, bem como alguns seriados como Perdidos no Espaço e Jornada nas Estrelas. A gente sabia que tudo aquilo não era real, mas sonhava com um futuro em que aquilo pudesse acontecer de verdade. Isso era para nós todos “surreal”. 
Mas observando alguns acontecimentos do novo milênio, aos quais o cidadão comum e a imprensa tem se referido como “surreal”, para nós “Baby Bommers” (nascidos entre as décadas de 1950 e 1960, saídos das teclas da máquina de datilografia para os teclados do computador) pode ser considerado inimaginável. Olhemos uma das manchetes recentes aqui da nossa capital: 
“Eletricista é morto a tiros porque não retirou caminhão da frente da residência de um morador da zona sul” – Correio do Povo – 25/10/2017.
Eletricista foi morto pelo morador quando fazia manutenção
na rede, porque o veículo bloqueava saída da garagem
O motivo pelo qual este crime foi cometido parece denotar que estamos vivendo “tempos bárbaros”, onde o comedimento e o bom senso parecem ter abandonado algumas pessoas. Tenho também a impressão de que a quantidade de “injustiças” de que a população tem sido vítima, pode ocasionar transtornos psicóticos naqueles menos preparados. E isso se transforma nestes casos “além do real”. Ou seja, “surreal”. Não há como não se perguntar diante disso, por qual motivo uma pessoa comum seja capaz de tirar a vida de outra por um motivo tão fútil?
Ainda na semana me deparo com outra notícia, de fora do nosso Estado, e que no mínimo pode ser também considerada “surreal”. Senão, vejamos:
“Cliente invade velório e exige devolução de dinheiro de doces encomendados”. Foi manchete no “Correio do Estado”, jornal de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. No dia 20 de outubro último, Dayane Cristina Bernardino, confeiteira de profissão, havia acabado de perder o marido, quando uma cliente invadiu a capela onde ocorria o velório, exigindo que ela lhe entregasse os doces encomendados para uma festa naquele dia.
Cliente entra em confronto em velório com confeiteira que acabara
de perder o marido
Surreal? Prá quem já conhece o sentido da palavra, sim, muito além do real.
Portanto, parece que acompanhada de comportamentos muito estranhos para este novo período da humanidade (século XXI), a palavra “Surreal” veio para ficar. 
E acredito que um mundo de “intolerância” se avizinha para nós que nos consideramos evoluídos e contemporâneos. Estamos a cada dia resgatando comportamentos do princípio do século XX que contradizem tudo o que é racional. Esta é a nossa nova era do “Surrealismo”.       

21 outubro 2017

AFINAL, O QUE É TRABALHO ESCRAVO?

A produção de carvão concentra grande quantidade de trabalho escravo
Por inúmeras vezes fiz uso deste espaço para falar de uma chaga que assola grande parte dos trabalhadores neste país: o trabalho escravo. Um país como o nosso, acostumado desde seus primórdios ao uso e abuso de mão de obra sem a devida valorização, desenvolveu alguns mecanismos nas ultimas décadas que frearam em parte esta exploração.

E os auditores fiscais do Ministério Público do Trabalho foram responsáveis pelo resgate de enorme quantidade destes trabalhadores, principalmente em fazendas e trabalhos no meio rural, onde é possível acobertar das autoridades fiscais por causa da distancia um sem número de injustiças e trabalho degradante. Some-se ainda a isso, a falta de conhecimento de seus direitos pelos próprios trabalhadores.

Trabalhos desenvolvidos no meio rural são os que
mais concentram trabalho escravo
 
Muitos são obrigados ainda hoje a trabalhar pela comida, ou então assumem dívidas impagáveis junto à elite de coronéis que os contratam, quando não são submetidos ao cárcere para que fiquem impossibilitados de denunciar estes maus tratos.

Mas outra coisa ainda deve ser enfatizada quando se trata de falar do trabalho escravo: “grande parte das denuncias tem sua origem em terras de propriedade de destacados representantes da política nacional, deputados federais e senadores!” Para se ter uma ideia, na “Lista Suja” publicada recentemente, constava o nome do tio do senador Ronaldo Caiado, com trabalho degradante na produção de carvão no interior de Goiás.    

Senador Ronaldo Caiado teve parentes envolvidos na Lista Suja
E agora, envolvido nas maracutaias que a Operação Lava-Jato descobriu, e em busca de votos que possam frear uma possível condenação, o presidente corrupto da república faz uso de seu poder para amenizar as denuncias de trabalho escravo. Ao invés de estar ao lado do povo, se mancomuna com a “bancada ruralista” com benefícios que acobertem as irregularidades em troca de votos que o livrem do Supremo Tribunal Federal.  

Agora, para que seja considerado “trabalho escravo”, tudo deve passar pela lente do Ministro do Trabalho antes de ser publicado oficialmente.

Indignados com a postura da presidência da república, bem como do Ministério do Trabalho, os auditores fiscais do MPT paralisaram as ações de fiscalização em 21 estados da federação no último dia 18 de outubro. O ato foi motivado pela publicação da Portaria 1.129/2017 que determina que “jornadas extenuantes e condições degradantes, a partir da agora, só serão consideradas condições análogas à escravidão se houver restrição de liberdade do trabalhador”. Uma vergonha, em pleno século XXI.

A declaração sínica do Ministro Gilmar Mendes
indignou muitos brasileiros
 
E para demonstrar que não somente os Poderes Executivo e Legislativo estão deteriorados atualmente no Brasil, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, numa demonstração de enorme “cinismo” declarou em entrevista que também se submete a “trabalho exaustivo” quando atua no STF e no TSE ao mesmo tempo, mas que não considera isso um “trabalho escravo”. 

Um verdadeiro absurdo. Basta que se veja o comprovante de rendimentos deste senhor. E além do salário de Ministro, possui carro com motorista particular, segurança 24 horas, plano de saúde de carreira e outras bonificações do cargo. Gilmar Mendes também é dono de uma Faculdade de Direito em Brasília.    

Mas, como diz meu velho Pai: "Melhor ouvir isso do que ser surdo!!!  Ou não?"

   

14 outubro 2017

O BORBOLETEIO COGNITIVO DA INTERNET

A leitura é capaz de transformar qualquer pessoa
pela capacidade de ver o mundo de outra forma
Se há uma coisa que transformou minha existência, indubitavelmente, foi a leitura. Desde que adotei o hábito de ler com frequência posso afirmar que para mim muita coisa mudou. Sou mais crítico desde então, mas também bem mais compreensivo com as questões existenciais. Por isso, vivo conclamando aos meus alunos e alunas para que busquem na leitura uma nova forma de ver o mundo.

Mas tenho observado que a Internet, através de seus pequenos excertos (aquilo que a gente chama de “Leitura Mínima”), atrai muito mais do que os meus apelos. E as Redes Sociais, diferentemente dos livros, ficam à disposição a qualquer hora e em qualquer lugar através dos smartphones. É uma concorrência desleal, com certeza. 

O peruano Mario Vargas Llosa e sua obra
"A civilização do espetáculo"
E nestas últimas semanas de setembro, um livro me entorpeceu ao tratar deste assunto. Um grande escritor da atualidade, peruano de nascimento e premio Nobel de Literatura em 2010, chamado Mario Vargas Llosa, escreveu “A civilização do espetáculo: uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura”. Escrito em 2013, a obra mostra uma visão do autor sobre o que se entende (ou entendia) por “cultura” e que, segundo ele, passou por uma metamorfose desde que o mesmo entrou na universidade, sendo adulterada com muita facilidade e com a aquiescência de todos.

Para uma resenha bem completa da obra, certamente teria eu que aqui acrescentar muitas páginas, o que pode desperdiçar o tempo dos leitores. Por isso, já não é de hoje que procuro ser econômico e sintético, e que para nós apreciadores do bom texto é quase o cometimento de um “crime”. Mas vamos lá...

Para o escritor, o progresso é fruto do empenho de
especialistas, e não da cultura
 
Llosa inicia sua obra referindo que a cultura de hoje é influenciada por um mercado que busca, antes de mais nada, o entretenimento. E que por causa disso, os próprios “intelectuais” tem se escondido ou desapareceram. Segundo ele “hoje vivemos a primazia das imagens sobre as ideias. Por isso os meios audiovisuais, cinema, televisão e agora a internet, foram deixando os livros para trás, que [...] dentro de não muito tempo estarão mortos e enterrados” (p. 41). 

Mas quando se fala em uma redução da qualidade da cultura em pleno século XXI, o autor salienta que o progresso demonstrado pelo avanço da tecnologia “é obra de especialistas e não de pessoas cultas” (p.63).

Num capítulo intitulado “É proibido proibir” Llosa dedica especial atenção à educação, citando alguns documentários recentes sobre agressões de que são vítimas docentes e discentes. Como não poderia deixar de ser, o autor remete a “maio de 1968” como uma possível origem desta barbárie. Destaca ele que em nenhum campo houve tamanha influência negativa para a cultura quanto na educação.

Observem um pequeno excerto extraído do conteúdo:

Para ele ainda, a qualidade da cultura também foi afetada
pelo despojamento da autoridade docente
“O mestre, despojado de credibilidade e autoridade, muitas vezes transformado, do ponto de vista progressista, em representante do poder repressivo – ou seja, no inimigo ao qual era preciso resistir e que se devia até mesmo abater, caso se quisesse alcançar a liberdade e a dignidade humana –, não só perdeu a confiança e o respeito sem os quais era impossível cumprir eficazmente sua função de educador – de transmissor tanto de valores como de conhecimentos – perante seus alunos, como também o dos próprios pais de família e de filósofos revolucionários que, à maneira do autor de Vigia e Punir, nele encarnaram um daqueles sinistros instrumentos – como os carcereiros e psiquiatras dos manicômios –, dos quais o establishment se vale para coibir o espírito crítico e a sã rebeldia de crianças e adolescentes.” (p. 76)
               
Muito mais ainda traz o autor da nossa realidade atual, e do quanto, para ele, a cultura perdeu nos últimos anos. Traços de uma liquidação do erotismo em troca da animalização da sexualidade, no capítulo “O sexo frio”, ou da influência religiosa sobre a qualidade da cultura, no capítulo “O ópio do povo”.

Mas quase no epílogo da obra, num artigo escrito para o periódico “El País” em julho de 2011, denominado “Mais informação, menos conhecimento”, pude ver minha ansiedade retratada e confirmada pelo autor, quando destaca a preguiça e a resistência da geração atual pela leitura. Diz ele:

Segundo Llosa, muitas pesquisas na internet não
passam de "borboleteios cognitivos"
“Esses alunos não tem culpa de serem agora incapazes de ler Guerra e Paz ou Dom Quixote. Acostumados a pescar informações nos computadores, sem precisarem fazer esforços prolongados de concentração, foram perdendo o hábito e até a faculdade de se concentrar, e se condicionaram a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que a rede os acostuma, com suas infinitas conexões e saltos para acréscimos e complementos, de modo que ficaram de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongada dedicação àquilo que se lê”. (p. 192)

Mais adiante, ainda no mesmo artigo, ele destaca que não se pode deduzir que o progresso não ocorre por causa dessa cultura vigente, mas que devemos nos preocupar se esse progresso significa o que Van Nimwegen, biólogo estudioso do cérebro humano, “deduziu depois de um de seus experimentos: que deixar por conta dos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz a capacidade do cérebro de construir estruturas estáveis de conhecimento. Em outras palavras: quanto mais inteligente nosso computador, mais burro seremos”. (p. 192 e 193)


Portanto, para aqueles que gostam de uma boa leitura que permita refletir sobre os dias atuais, sugiro esta obra instigante. Vale a pena...         

07 outubro 2017

O QUE TEMOS FEITO COM NOSSAS CRIANÇAS


O futuro depende de como lidamos com a infância 
em nosso país
O mês de Outubro tem uma marca muito especial, é o mês em que se comemora o DIA DAS CRIANÇAS. Mas cabe aproveitar este momento para enfatizar algumas coisas não tão boas que temos feito com as nossas crianças, cujo resultado estamos colhendo a cada dia com a violência de adolescentes e, até mesmo adultos, que iniciam no mundo do crime muito cedo. E se não estudarmos a fundo, e investirmos pesadamente para mudar esta realidade, certamente não teremos boas noticias para as próximas gerações.  

Abuso ou Maltrato Infantil

abuso infantil, ou maltrato infantil, é o abuso físico e/ou psicológico de uma criança, por parte de seus pais - sejam biológicos, padrastos ou adotivos - por outro adulto que possui a guarda da criança, ou mesmo por outros adultos próximos da criança como pessoas da família ou professores da escola onde cada vítima anda.

A maioria dos abusos contra crianças ocorre dentro de casa
O abuso infantil envolve a imperícia, imprudência ou a negligência (estes elementos constituem a definição legal de "culpa") ou um ato praticado com dolo por parte do adulto contra o bem-estar ou a saúde da criança, como alimentação ou abrigo. Também comumente envolve agressões psicológicas como xingamentos ou palavras que causam danos psicológicos à criança, e/ou agressões de caráter físico como espancamento, queimaduras ou abuso sexual (que também causam danos, psicológicos inclusive).

Os motivos do abuso infantil são vários, entre eles, destacam-se a própria ignorância do que é abuso infantil e, é claro, os resultantes de transtornos vários da mente humana, além de vícios, como o alcoolismo e o uso de drogas ilegais. Muitas vezes, os pais/cuidadores da criança são pobres e/ou possuem pouca educação, e podem tentar impedir o acesso da criança aos serviços médicos necessários, evitando a descoberta do abuso por parte dos médicos.

A Violência Física é que mais se destaca nas estatísticas
Violência doméstica e física

Segundo Azevedo & Guerra (2007), corresponde ao emprego de força física no processo disciplinador de uma criança ou adolescente por parte de seus pais (ou quem exercer tal papel no âmbito familiar como, por exemplo, pais adotivos, padrastos, madrastas). A literatura é muito controvertida em termos de quais atos podem ser considerados violentos: desde a simples palmada no bumbum até agressões com armas brancas e de fogo, com instrumentos (pau, barra de ferro, taco de bilhar, tamancos etc.) e imposição de queimaduras, socos, pontapés. Cada pesquisador tem incluído, em seu estudo, os métodos que considera violentos no processo educacional pais-filhos, embora haja ponderações científicas mais recentes no sentido de que a violência deve se relacionar a qualquer ato disciplinar que atinja o corpo de uma criança ou de um adolescente. Prova desta tendência é o surgimento de legislações que proibiram o emprego de punição corporal, em todas as suas modalidades, na relação pais-filhos (Exemplo: as legislações da Suécia - 1979; Finlândia - 1983; Noruega - 1987; Áustria - 1989).

Violência doméstica psicológica


O Grau de Parentesco também destaca a violência
dentro de casa
Segundo Azevedo & Guerra (2007), a violência psicológica também designada como "tortura psicológica", ocorre quando o adulto constantemente deprecia a criança, bloqueia seus esforços de auto-aceitação, causando-lhe grande sofrimento mental. Ameaças de abandono também podem tornar uma criança medrosa e ansiosa, representando formas de sofrimento psicológico.

Pode-se manifestar como:

·         Isolamento emocional

·         Dificuldades de fala ou linguagem

·         Ausência de contato olho a olho

·         Medo (real ou aparente) da vítima em relação ao agressor(es)

Violência sexual


Segundo Azevedo & Guerra (2007), configura-se a violência sexual doméstica como todo ato ou jogo sexual, relação hétero ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa. A intenção do processo de Violência Sexual é sempre o prazer (direto ou indireto) do adulto, sendo que o mecanismo que possibilita a participação da criança é a coerção exercida pelo adulto.

Negligência


Segundo Azevedo & Guerra (2007) a negligência consiste uma omissão em termos de prover as necessidades físicas e emocionais de uma criança ou adolescente. Configura-se quando os pais (ou responsáveis) falham em termos de alimentar, de vestir adequadamente seus filhos, de prover educação e supervisão adequadas, e quando tal falha não é o resultado das condições de vida além do seu controle. A Negligência pode-se apresentar como moderada ou severa. Nas residências em que os pais negligenciam severamente os filhos, observa-se, de modo geral, que os alimentos nunca são providenciados, não há rotinas na habitação e para as crianças, não há roupas limpas, o ambiente físico é muito sujo com lixo espalhado por todos os lados, as crianças são muitas vezes deixadas sozinhas por diversos dias. 

A literatura registra entre esses pais, um consumo elevado de drogas, de álcool, uma presença significativa de desordens severas de personalidade. O termo vem sendo ampliado para incorporar a chamada supervisão perigosa. 

Fica a brilhante composição de Toquinho em homenagem às Crianças neste 12 de Outubro:

Fonte: Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Abuso_infantil