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29 Janeiro 2012

O QUE FAZEM COMO NOSSOS IMPOSTOS?

Não é de hoje que se sabe que o Brasil é um dos países de maior carga tributária no mundo. E também não é difícil concluir que o retorno desses tributos em prol da população, revertidos sob a forma de serviços públicos como saúde, educação e segurança, é insignificante. Basta observar que cada vez mais a sociedade brasileira gasta com esses itens para ter um mínimo de conforto e segurança. Mas então onde vão parar esses recursos públicos valiosos, se não são investidos em saúde, educação e segurança? Não é muito simples deduzir, mas duas formas de desvio são comprovadas: primeiramente as despesas do país com uma imensidade de órgãos públicos de tremenda ineficiência e grandes cabides de emprego; em segundo lugar, os desvios do dinheiro público em obras sem qualquer controle e fiscalização, sendo este o cerne da corrupção que impera no país. 

Com relação aos órgãos públicos e os gastos destes, basta observar a quantidade de ministérios que hoje a estrutura governamental possui. Nunca tivemos tantos ministérios. E por detrás de tudo isso, há toda uma estrutura administrativa que pesa no bolso do brasileiro, pois não há dinheiro que seja suficiente prá tamanha estrutura. Prá quem não sabe também, o Congresso Nacional brasileiro é um dos mais caros do mundo, pois temos a maior quantidade de deputados e senadores por habitante. Nem países como os Estados Unidos e Grã-Bretanha possuem estrutura tão grande e tão cara. Isso mesmo, os salários de nossos representantes são dos mais caros do mundo.

Com relação aos gastos públicos, os desvios são descomunais. E prá quem quiser se informar um pouco mais sobre o desvio de recursos públicos e a lavagem de dinheiro, basta ler a recente obra "A Privataria Tucana". É de sentir náuseas a leitura deste livro. 

Mas aproveito a oportunidade para divulgar o artigo publicado pelo Jornal Digital 247, e que mostra o resultado da pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) sobre essa questão dos tributos brasileiros e seu retorno à população brasileira.

A arrecadação de impostos no Brasil pode ser melhor investida em benefício da população, diz estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). De 30 países observados, o Brasil está na última posição no ranking sobre aproveitamento dos recursos arrecadados, inclusive entre os sul-americanos – Argentina e Uruguai. O primeiro colocado é a Austrália, depois vêm os Estados Unidos, a Coreia do Sul, o Japão e a Irlanda.
O presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, defendeu a redução da quantidade de impostos cobrados no país e o aperfeiçoamento na utilização dos recursos. Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Olenike disse que o resultado da pesquisa mostra que é necessário agir rapidamente.
O Impostômetro no centro de São Paulo
“O Brasil, como potência que é hoje, economicamente, vem sendo o sexto maior em termos de PIB [Produto Interno Bruto] e em termos de crescimento econômico. Mas, ao mesmo tempo, não transforma isso em qualidade de vida para a população, o que é bastante lamentável”, disse Olenike.
O estudo analisou o comportamento dos consumidores e a aplicação dos recursos em 30 países. Pela ordem, os piores colocados no ranking são o Brasil, a Itália, a Bélgica, a Hungria e a França. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores consideraram a carga tributária de cada país, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e elaboraram o que foi chamado de Índice de Retorno de Bem Estar da Sociedade (Irbes).
De acordo com o IBPT, em 2011, o Brasil arrecadou cerca de R$ 1,5 trilhão em pagamentos de tributos. “Esse valor deveria voltar mais significativamente para a população”, defendeu Olenike. Segundo ele, um dos aspectos considerados graves pela pesquisa é que não há retorno em investimentos básicos para a população.
Olenike citou como exemplo serviços relativos à educação, saúde e segurança. De acordo com ele, a classe média se vê obrigada a complementar o que o Poder Público deveria arcar. “O pessoal da classe média é obrigado a pagar uma tributação indireta e complementar, [por exemplo, pagando] o plano de saúde privado”, disse ele, citando também escolas particulares e pedágios nas estradas.
 Fonte: www.brasil247.com.br - acesso em 29.01.2012       

21 Janeiro 2012

SEXO SIM, ESCÂNDALO SIM, DISCUSSÃO SOBRE OS LIMITES ÉTICOS E LEGAIS JAMAIS!!!

A repercussão das cenas de um episódio do reality show da Globo, o BBB 12, tomou conta das discussões na mídia escrita, falada e televisionada nos últimos dias. Para mim um assunto que pouco contribui para o engrandecimento da cultura nacional, muito menos, agrega algum conhecimento a quem se propõe crescer intelectualmente ao dispender precioso tempo na visualização de espetáculo de tamanha mediocridade. Mas para uma coisa pelo menos o episódio serviu: prá demonstrar o quanto necessitamos discutir o controle social e os limites da mídia das telecomunicações em nosso país.

Aliás, não foi diferente o que tentou o governo Lula em seu segundo mandato, ao esboçar um projeto de marco regulatório que propunha a criação de uma agência específica, paralela à ANATEL, com o objetivo de cuidar somente do conteúdo dessas emissoras. Foi crucificada como alguma coisa que remetia ao período da ditadura e de uma "censura disfarçada" pela ABERT – Associação Brasileira das Emissoras de Radio e Televisão, que saiu imediatamente em defesa de suas afiliadas, conforme a reportagem de Najla Passos da Carta maior em 17 de janeiro último.
Jacira Vieira de Melo

Por isso tudo, e para que se entenda um pouco mais do episódio que, não somente tenta mostrar a irresponsabilidade da mídia nacional com relação ao seu público, mas que está sendo utilizado pela maior rede de televisão do país para arrebanhar audiência, é que trago a seguir a matéria da diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão – Mídia e Direitos, filósofa e mestre em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicações e Artes da USP, Jacira Vieira de Melo, publicada no site da Agência recentemente.

Diz ela que a decisão da TV Globo de expulsar do reality show o participante Daniel sob suspeita de ter abusado sexualmente da colega Monique, após a polêmica sobre estupro haver explodido nas redes sociais, é muito clara: a emissora reagiu em função da repercussão negativa e não em razão do estupro transmitido ao vivo via satélite. Não interessa à TV e nem à lógica do Big Brother Brasil um debate sobre ética no programa ou na TV.
Boninho - diretor do BBB

Boninho, diretor do BBB, em um primeiro momento argumentou que “Daniel era vítima de racismo”, provavelmente em uma tentativa de duplicação do debate: estupro ou racismo? Após a intervenção da Polícia, que ameaçou tirar o programa do ar, Boninho mudou de estrategia e afirmou que Daniel "passou dos limites".

O apresentador Pedro Bial foi lacônico ao anunciar a expulsão do participante. Aliás, no episódio do BBB que alcançou o maior índice de audiência até hoje, Bial - por explícita conveniência - não detalhou para os telespectadores - e ao que tudo indica nem mesmo aos outros participantes - qual foi o motivo da eliminação de Daniel. Ao anunciar sua saída, alegou somente que Daniel havia "infringido as regras do programa".

Passaram do limite a Rede Globo, Boninho e o participante Daniel. Infringiram a regra da ética. O diretor e a produção do BBB foram omissos, assistiram de camarote, na madrugada de sábado para domingo, ao desenrolar do que tudo indica ter sido um estupro transmitido ao vivo pela TV brasileira. Poderiam ter agido e impedido o suposto crime. Mas aquilo tudo – o estupro e a transmissão ao vivo aos espectadores pagantes - fazia parte da festa, do show. Tudo leva a crer que apostaram no escândalo, na polêmica, na dúvida sobre o caráter de Daniel, mas também de Monique. Apostaram que surgiriam os argumentos preconceituosos comuns nesse tipo de caso: "ela deu mole, facilitou, provocou". Afinal, os participantes sabem os riscos que correm pelo fato de o programa ser transmitido ao vivo.

A TV Globo parece ter entendido rapidamente os riscos que corre. A denúncia sobre o possível estupro explodiu primeiro nas redes sociais, pautando sites de notícias e blogs, que passaram a indicar links para o YouTube: estupro no BBB12. Em pouco tempo, o caso tornou-se o tema mais comentado na internet.

E o que era para ser uma festa no BBB e mais um escândalo de audiência saiu do controle. A edição do BBB de 2012 tem cinco patrocinadores - AmBev (Guaraná Antarctica), Fiat, Niely, Schincariol (Devassa) e Unilever (Omo) – que, segundo informações da imprensa, desembolsaram R$ 20,6 milhões cada um para terem suas marcas no programa, totalizando R$ 103 milhões. Sabe-se que a discussão sobre limites éticos e legais na produção de conteúdo e patrocínio de programas é uma questão que causa verdadeiro pânico na TV.

Pois esse episódio aponta para duas tendências do público: a primeira evidencia que o telespectador passou, com as tecnologias de comunicação, a ver TV e emitir sua opinião a partir de seu próprio juízo; a segunda tendência revela que a sociedade já identifica com mais clareza situações de violência contra a mulher e que a violação do corpo e da intimidade de uma mulher já é debatida como questão de direito e justiça.

São sinais claros de avanços na agenda de debates e da participação da cidadania. Falta agora que os veículos de mídia também aceitem participar desse debate sobre os limites éticos e legais de seus conteúdos e estratégias para conquistar audiências. Também faltam posições inequívocas das instituições democráticas do país sobre as consequências previstas para esse tipo de atitude de emissoras de TV, para que possam ser responsabilizadas editorialmente sobre os conteúdos transmitidos.

Meu Comentário:

E muito tenho me debatido em sala de aula para conscientizar alunos e alunas sobre o importante papel que desempenham nossos representantes no congresso nacional, principalmente nas suas decisões em relação às concessões de telefonia, telecomunicações, transporte público e tantos outros. São eles que nos representam nesta difícil tarefa de decidir o que é bom e o que não é bom para todos nós, inclusive os conteúdos apresentados pelos canais de televisão. Periodicamente esses contratos de concessão caem na mesa da Câmara e do Senado Federal, justamente para que sejam apreciados sua vida pregressa e renovados por mais alguns anos, ou para que sejam feitas novas licitações que busquem alterar essa propriedade. E a pergunta que fica é a seguinte: será que isso tem sido feito com responsabilidade pelos nossos representantes? Aliás, você em qual deles votou nas últimas eleições?

Fontes: http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/ (acesso no dia 20.01.12)
            http://www.cartamaior.com.br/ (acesso no dia 19.01.12)

14 Janeiro 2012

UM GAUCHO PREDADOR

Cada vez mais me coloco em desconfiança com alguns produtos que consumimos. Até mesmo as mídias sociais têm cumprido seu papel de alertar a sociedade sobre seus malefícios. Foi o caso recente da Coca-Cola Zero, que teve grande repercussão no Facebook esta semana.

Mas o nosso dia-a-dia está impregnado destes produtos: pacotes de salgados, embutidos, enlatados, etc... Se você dedicar alguns minutos para analisar as embalagens destes produtos, são inúmeros os ingredientes adicionados para preservar a vida útil dos mesmos. Isso faz com que seu tempo de prateleira aumente e, por conseqüência, o lucro dos fabricantes. São ingredientes denominados conservantes, aromatizantes, flavorizantes e outros “antes”.

Esta semana, ao ler uma reportagem na página www.pratoslimpos.org.br , me deparei com o nome bastante familiar de um agrotóxico considerado campeão de vendas pela multinacional agroquímica Bayer. Por isso, resolvi compartilhar com vocês a matéria publicada por lá.
É responsabilidade da Bayer o fenômeno conhecido como transtorno do colapso de colônias (CCD) – problema da mortalidade de colônias de abelhas – e está inserido entre os casos que serão apresentados de 3 a 6 de dezembro, no Tribunal Permanente dos Povos (TPP), em Bangalore (Índia) durante a sessão que processará as seis maiores multinacionais agroquímicas por violações dos direitos humanos.

“A morte das abelhas é um problema global e é fundamental discutir este tema e encontrar soluções internacionalmente. É um bom sinal que o TPP, como uma iniciativa global, aborde este tema, que é um problema ambiental e uma ameaça econômica”, disse Philipp Mimkes, porta-voz da Coalizão contra os perigos da Bayer, um grupo com sede na Alemanha.

Mimkes revelou que os imidaclopride (Gaucho) e clotianidina (Poncho) são os pesticidas mais vendidos da Bayer, apesar destes produtos, conhecidos como neonicotinóides, estarem ligados à morte de colônias de abelhas.

Em 2010, as vendas do Gaucho alcançaram a cifra de US$ 820 milhões e do Pancho US$ 260 milhões. Gaucho ocupa o primeiro lugar entre os agrotóxicos vendidos pela Bayer, enquanto o Pancho está em sétimo lugar. “Esta é a razão da Bayer, apesar dos graves prejuízos ambientais, lutar com unhas e dentes contra qualquer proibição na aplicação dos neonicotinóides”, afirma Mimkes.

Na Europa, em vários países o uso dos neonicotinóides foram proibidos. Na Alemanha, Itália, França e Eslovênia o Gaucho foi proibido no tratamento das sementes de milho, que é sua principal aplicação. No entanto, sua utilização é livre em vários países, incluindo os EUA, onde desde 2006, um terço da população de abelha já morreu.

As abelhas polinizam mais de 70, entre 100, culturas que fornecem 90% de alimentos do mundo. Entre frutas e vegetais, estão, por exemplo, as maçãs, laranjas, morangos, cebolas e cenouras. O declínio na população de abelhas tem efeitos devastadores para a segurança alimentar e é meio de subsistência dos agricultores. Além disso, pode afetar o valor nutricional e a variedade de nossos alimentos.

Diminuição das populações de abelhas

O termo CCD é utilizado para descrever a drástica diminuição das populações de abelha no mundo, que começou na década de 1990 – mesmo período em que os neonicotinóides entraram no mercado. Em 1994, a população de abelhas começou a morrer na França e mais tarde na Itália, Espanha, Suíça, Alemanha, Áustria, Polônia, Inglaterra, Eslovênia, Grécia, Bélgica, Canadá, EUA, Brasil, Japão e Índia.

Os neonicotinóides são uma classe de pesticidas que estão quimicamente relacionados com a nicotina. Eles são absorvidos pelo sistema vascular da planta e são liberados através das gotas de pólen, néctar e água que as abelhas se alimentam.

Embora o CCD seja causado, provavelmente, por vários fatores, incluindo estresse em função da apicultura industrial e a perda de seu habitat natural, muitos cientistas acreditam que a exposição aos pesticidas é um dos fatores mais críticos. Os neonicotinóides são de interesse particular por ter efeito cumulativo e subletais sobre as abelhas e outros insetos polinizadores. Estes efeitos incluem transtornos do sistema neurológico e imunológico refletidos aos sintomas observados nas mortes de abelhas.

O CCD tem um sério impacto sobre a economia dos apicultores de todo o mundo. Nos EUA, o volume dos negócios ligados a abelhas é de US$ 15 bilhões e as perdas em função do CCD são estimadas em 29 a 36% por ano.

Em 1991, a Bayer começou a produzir o imidadoprid, que é o mais utilizado em culturas de hortaliças, girassol e, especialmente, em milho. Em 1999, no entanto, a França proibiu o imidadoprid, após constatar que um terço das abelhas morreu após sua utilização. Cinco anos depois, também foi proibido no tratamento do milho.

A Bayer agora produz a clotiadina, uma sucessora do imidadoprid. Entrou no mercado americano em 2003 e no alemão em 2006. A clotiadina também é um neonicotinóides e altamente tóxico às abelhas.

Um estudo recente das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) descreveu que os pesticidas da Bayer imidacloprid e clotiadina colocam em risco diversos animais como gatos, peixes, ratos, coelhos, pássaros e minhocas. “Os estudos de laboratório demonstraram que estes produtos químicos podem causar a perda de direção, afetar a memória e o metabolismo cerebral e levar à mortandade”, revela o informe da Pnuma.

Devido ao seu alto grau de persistência, os neonicotinóides podem permanecer no solo durante vários anos. Os cultivos onde foram utilizados agrotóxicos anteriormente podem levar as toxinas para o solo através de suas raízes.

Em 2008 em Baden-Wuerttemberg, sul da Alemanha, morreram dois terços da população de abelhas após a clotianidina ser aplicada no tratamento de sementes de milho. Isto levou a uma perda de 17 mil euros. Foi comprovado que 99% das abelhas mortas continham clotianidina. As mariposas e outros insetos também morreram.

Meu Comentário

Não é de hoje que a Bayer age dessa forma. A história de um dos maiores ambientalistas brasileiros comprova que a empresa sempre agiu de forma irresponsável e com uma preocupação única com o lucro. José Antonio Lutzenberger foi um de seus executivos na década de 1970, e abandonou a empresa quando descobriu que a mesma investiria no fornecimento de agrotóxicos para as lavouras de banana da América Central, mesmo ciente dos prejuizos para a saúde da população consumidora e para os agricultores daquela região. Para quem quiser saber mais a respeito pode ler "Sinfonia Inacabada" de Lilian Dreyer, uma biografia de Luzenberger que em certa parte conta a relação de Lutz com a Bayer, quando seu executivo na Europa. Um grande título que merece ser lido por quem gosta das questões ambientais.  

07 Janeiro 2012

QUEM ROUBOU MINHA AUTOESTIMA?

Um dos papéis que nós, professores, desempenhamos em sala de aula é o de motivadores, de provocadores. Principalmente, depois do advento da chamada Escola Nova, onde o aluno deixou de ser uma figura passiva da educação e passou a ser protagonista na busca do conhecimento. E dentro dessa perspectiva, a visão otimista da realidade brasileira, em relação à política, principalmente, também é um destes papéis do professor em sala de aula. Até porque, tenho a opinião formada de que nada se consegue sem a ciência política, pois a sociedade dos homens construiu ao longo do tempo um enorme conjunto de regras que se articulam pelo uso desta ciência.

Muito bem! Mas porque estou argumentando isso tudo? Porque nos últimos tempos tenho me decepcionado tanto com as notícias da corrupção na política brasileira, que por vezes me pergunto até quando poderemos conviver com tudo isso. São muitos os representantes que, ao assumirem as vagas para as quais foram eleitos, possuem como primeiro pensamento o enriquecimento particular, deixando de lado qualquer pensamento em relação ao coletivo que o elegeu. E a percepção que se tem em relação à justiça brasileira, é que nada tem acontecido com esses golpistas do dinheiro público.

Eu que já falei aqui algumas vezes sobre a corrupção, nesta edição novamente retomo o assunto, agora para falar de um tipo chamado “lavagem de dinheiro”. E esse desabafo que motiva minha escrita, é porque acabo de ler o livro que está em evidencia nesse momento no cenário literário político nacional: “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. É um relato triste e preocupante do que se tem constatado nos últimos 20 anos da política nacional, misturada com desvio de dinheiro público, ineficiência dos órgãos públicos, lavagem de dinheiro em paraísos fiscais mundo afora e impunidade desavergonhada. Por tudo isso hoje estou muito mais pessimista em relação ao nosso futuro. Creio que estou com a autoestima perdida neste momento.

O resgate feito pelo Amaury Ribeiro faz com que nossa memória retome a história de personagens nada ilustres do cenário brasileiro. Estão ali a despudorada Georgina de Freitas, que meteu a mão no dinheiro da Previdência, o juiz Nicolau dos Santos Neto, que acumulou em suas contas no exterior o dinheiro da construção do Tribunal paulista, o senador brasiliense Luis Estevão, que também se apoderou de quantia significativa no mesmo episódio, o ex-prefeito e ex-governador paulista Paulo Maluf e suas contas fantasmas, entre tantos. E tudo isso, sem que a quantidade original afanada fosse integralmente devolvida aos cofres do governo. A grande maioria do dinheiro evaporou, ou está sendo desfrutada por parentes e prepostos.

O mar de lama que relata o jornalista, onde estão envolvidos o ex-governador paulista e ex-candidato a presidente José Serra e toda sua linhagem, vem comprovado por uma série de documentos em anexo. São inúmeros comprovantes de depósitos, um vai-e-vem intenso de valores entre empresas no exterior e em território brasileiro, dinheiro que troca de mãos a cada dia para escapulir das investigações, investimentos em ações de empresas de fachada, que só existem no papel.

O livro destaca as ações conjuntas realizadas pelo tesoureiro de campanha do PSDB, Ricardo Sérgio de Oliveira, pela filha de José Serra, Verônica Serra, seu marido, o empresário Alexandre Bourgeois e muitos outros. O conteúdo é de dar náuseas.

Dia desses conversava com meu pai, e falávamos sobre o orgulho de se trabalhar de forma honesta, evidenciando nossas competências e habilidades. Depois de muitas reflexões nos colocamos entristecidos um e outro, ao analisar essas ações que o livro descreve. A que ponto chegou a ganância do ser humano, ao tomar um dinheiro que provém da cobrança de impostos públicos e que deveria ter como destino o bem geral da população, para uso em benefício próprio. E saber que essas quantias não são retomadas, jamais voltam à sua origem em forma de benefícios. Chegávamos a conclusão de que, enquanto a maioria da população se estrebucha oito horas diárias para ganhar o salário mensal com muito sacrifício, uma meia dúzia de delinqüentes se reúne em restaurantes sofisticados para arquitetar de que forma se apoderar desse dinheiro. E o pior: o Brasil está entre os países com maior índice de corrupção mundial, ficando com números próximos de países africanos, onde preponderam as guerras tribais e a fome entre a população.

Não se sabe até quando poderemos conviver com essa realidade. O certo é que não existe um momento em que a corrupção se extinga. Ela vai e vem em menor ou maior volume. Mas na intensidade em que ocorre em nosso país “é uma vergonha”, para parafrasear um âncora da mídia noticiosa nacional.

Desejo recuperar nestes próximos dias minha autoestima, tão prejudicada pela leitura da Privataria Tucana. Para tanto quero, nas minhas férias, algumas leituras mais amenas.

Até porque, na volta às salas de aula, é necessário retomar aquele espírito motivador e provocador característico da atividade docente. Que Deus me ajude.

31 Dezembro 2011

RETRÔ 2011: O ANO NA VISÃO BLOGUEIRA

Muitas coisas foram motivo de comentário aqui neste espaço em 2011. E com a chegada do final do ano, também sou adepto das retrospectivas. Não por aderir ao modismo dos órgãos de comunicação, mas para trazer um balanço aos meus leitores fiéis. Vamos desvelar agora aquelas notícias que considero, numa presunçosa visão unilateral, mais significativas que a cada mês aqui foram destaque.

JANEIRO

Comecei o ano dando destaque para a posse da primeira mulher presidente do Brasil. Ou como ela mesma se intitulou, Presidenta do Brasil. Conseguiu algumas coisas no seu primeiro ano de mandato, mas o que mais me impressionou foi a maneira de afrontar a corrupção em seus ministérios, mesmo que os ministros denunciados fossem caindo um a um como peças de dominó. Falei também no dia 10 de janeiro sobre a Rede Globo e de sua falsa Responsabilidade Social tão propagandeada no iunício do ano, quando se sabe que pela manhã cedo exibe programas de educação, quando quase ninguém está acordado, e à noite nos enche de pornocenas, nas novelas que buscam conquistar audiência a qualquer custo, como hoje ainda estamos vendo. Também falei da tragédia natural que assolou o estado do Rio de Janeiro, no dia 15 de janeiro. A feminizaçao da segurança do trabalho foi tema da edição do dia 22 de janeiro. Mas uma notícia muito dura para mim, e que iria marcar o ano de 2011, foi a morte de meu parceiro e companheiro de jornadas musicais desde a adolescência, Betinho Medeiros. Em meio a uma cirurgia emergencial, o coração dele nos abandonou, deixando-nos órfãos de um grande talento musical.

FEVEREIRO

O mês de fevereiro trouxe uma crítica ao programa esdrúxulo e ridículo exibido pela Venus Platinada no início do ano. O midiático Big Brother onde três instituições se locupletam com o dinheiro da população: seu animador Pedro Bial, a Central de Produções Globo e a empresa telefônica como patrocinadora. Depois, em 11 de fevereiro, a edição trouxe um dos primeiros resultados da Primavera Árabe, a queda do presidente do Egito, Hosni Mubarak, que aos 82 anos, depois de trinta no poder, entregou o cargo ao exército. Na seqüência trouxe as absurdas aposentadorias especiais de governadores de estado, onde nosso governador recém empossado figurava entre os muitos beneficiários; assunto que pelo jeito foi esquecido. Curta memória do povo brasileiro.

MARÇO

Este foi o mês da tragédia nipônica, onde tivemos a oportunidade de assistir quase que em tempo real a chegada de ondas gigantescas às pequenas cidades da costa nordeste japonesa, varrendo tudo que encontrava à sua frente. Lembrei palavras de Lutzenberger e de Lovelock. Depois me arrisquei a comprovar de que o ano só começa para nós neste mês das águas, embora dezembro e janeiro já tenham requerido o título ano após ano, tal a intensidade pluviométrica neste período. Chamei a atenção para a importância da educação no caso do Japão recém destruído, onde se imaginava que pudessem ocorrer saques entre as ruínas do tsunami. Foi notória a ordem e a disciplina demonstrada novamente pela população nipônica diante do caos estabelecido. Alguém duvida que em breve o pais estará em ordem novamente?\

ABRIL

Começamos o mês chamando a atenção para o atentado em Realengo no Rio de Janeiro, onde Wellington Menezes de Oliveira invadiu uma escola e abateu alunos em sala de aula. E nós que achávamos que isso só acontecia nas escolas ricas do interior dos Estados Unidos. O dia 28 de abril teve repercussão nacional, e aqui no Rio Grande do Sul, várias atividades marcaram o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho. Houve palestras e seminários em varias instituições, com destaque para o Seminário da Automasafety na Fiergs e outro seminário na sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na avenida mauá.

MAIO

O mês marcou a denúncia do trabalho escravo novamente aqui no Blog, chamando a atenção para autuações de empresas e libertação de trabalhadores em condições de escravidão nas cidades de Ipumirim, Santa Catarina, e Encruzilhada do Sul e Butiá, no Rio Grande do Sul. Mais uma vez houve mostra de que essa realidade não é exclusiva das regiões Norte e Nordeste. Maio também foi um mês de chorar nossos mortos em defesa da causa ambiental. Foram assassinados José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, casal que defendia a floresta e havia denunciado o envolvimento de três madeireiras da região de Nova Ipixuna, no Pará, em crimes ambientais. Hoje ainda se pergunta onde estão os assassinos.

JUNHO

A ética e a moral foram trazidas neste mês, evidenciando de que forma elas adentram o espaço da educação. Muitas contribuições recebi de colegas e alunos sobre o tema. Neste mês inaugurei um espaço de entrevistas, onde o engenheiro da Prefeitura Municipal de Porto Alegre foi convidado para trazer sua experiência diante do Depto de Esgotos Pluviais. Foi muito interessante ter a visão crítica do Luiz Francisco Lopes sobre a alta de legislação de Segurança do Trabalho que contemple os trabalhos em órgãos públicos. Posteriormente formamos uma parceria que ultrapassou os limites da sala de aula.

JULHO

O segundo semestre de 2011 iniciou com a SIPAT da Escola Técnica Cristo Redentor, onde muitos temas foram motivo de discussões e alertas para alunos e alunas do curso técnico de segurança do trabalho. Mais uma vez tive o privilégio de contar com o Prof. Daniel Mainero em teleconferência realizada desde Buenos Aires para os alunos da Escola Factum. Novamente colocamos a tecnologia a serviço da educação, e o resultado foi magnífico. Isso só vem corroborar que a escola e o conhecimento cada vez mais desconhece fronteiras.

AGOSTO

O mês começou com um apelo dramático, a seca continuada num país do chifre africano e que determina a morte de cerca de 2.000 somalis diariamente. Além disso, a guerra civil que ocorre desde 1991 faz com que até a ajuda internacional seja difícil no país. O apelo ficou, mas o caso continua sem solução, por vezes intensificado, por outras amenizado. Na metade de agosto chamava a atenção para eventos ocorridos em Londres, onde vários atentados com incêndios de carros e outros mais, demonstravam o descontentamento dos desempregados com a falta de oportunidades. Dizia que esse era um perigo que rondava o continente europeu, como hoje já se vislumbra em função da crise econômico mundial. No dia 19 destaquei a posse do ministro da agricultura Mendes Ribeiro Filho, cuja vaga na Câmara daria espaço para o deputado Eliseu Padilha. O título da edição dizia: Um gaucho no governo, um corrupto na Câmara.

SETEMBRO

A quantidade de acidentes de trabalho ocorrida na construção civil foi tema do inicio de setembro, onde chamei a responsabilidade do segmento. Uma das tragédias se deu num elevador de serviço próximo à av. João Pessoa, e outra em obra do DMAE, na zona sul de Porto Alegre, onde um trabalhador morreu soterrado e outro levou dois dias para ser retirado dos escombros, já sem vida. No mesmo mês mostrei alguns projetos absurdos que nossos representantes levam para aprovação na Câmara Federal. Cabe ressaltar alguns de valor, como o caso do deputado Onofre Santo Agostini, de Santa Catarina, que propõe que as empresas com mais funcionários contratem um numero maior de técnicos de segurança do trabalho.

OUTUBRO

O mês de outubro nos mostrou a inauguração de parcerias interessantes, como aquela surgida com o Prof. Gustavo Oliva. Fizemos na Escola Técnica Cristo Redentor uma palestra sobre Pressões Anormais, onde o Gustavo trouxe toda sua experiência para falar da anatomia humana quando submetida às pressões hiperbáricas e pressões hipobáricas, como no caso dos mergulhadores e dos trabalhadores da aviação. Também no inicio do mês, mais uma vez o trabalho escravo virou notícia. Só que desta vez foi o Ministério do Trabalho e Emprego que publicou a Normativa 91, cujo teor traz as sujeições a que se submetem empresas que forem pegas com trabalhadores nestas condições. Um pequeno avanço diante de tanta irregularidade detectada pelo Ministério Público. Por fim, trouxe ainda um exemplo de que a natureza é capaz de reagir aos maus tratos impostos pelo homem, no florescimento de um ipê em plena avenida, e que fora transformado em poste de energia elétrica.

NOVEMBRO

O último mês de 2011 trouxe comentários sobre a importância da leitura, e do quanto ela é capaz de transformar as pessoas e de torná-las mais cidadãs, aproveitando o momento da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre. Depois, no dia 20 de novembro, inspirado por uma revisita que fiz à capital federal, resolvi trazer alguns sabores brasileiros que pude resgatar neste passeio, tais como a carne de sol, o frango a passarinho, a costelinha de porco e o xis polenta; todos pratos saborosos de regiões distantes umas das outras, mas que azem do Brasil um lugar de muitas qualidades na alimentação. No dia do Técnico de Segurança do Trabalho, 27 de novembro, fiz uma homenagem aos alunos e alunas. Por causa de uma mudança de residência me envolvi com um grande aborrecimento, as operadoras de telefonia e seus teleatendimentos. Minha decepção se transformou em uma edição do blog também neste mês.   

DEZEMBRO

O mês derradeiro de 2011 teve a marca de outra denúncia, a liquidação de uma das últimas áreas verdes de Canoas em prol do progresso e desenvolvimento da região. Mais uma vez a Prefeitura petista canoense se rende ao canto da sereia do empresariado gaúcho, para acabar com o verde que ainda resta e dar vez novamente a alguns empresários que ocupam as terras e nada devolvem ao povo do município. É uma matéria para ser revista e rediscutida em 2012, quem sabe até com denúncias populares ao Ministério Público. Na última semana do ano, o destaque coube ao I Encontro de Ex-Alunos. Realizado na Pizzaria Tommatti’s, a 200 metros da Estação Centro de Canoas do Trensurb, reuniu alguns ex-alunos e alunas para confraternizar, juntamente com parceiros e empresas identificadas com a segurança do trabalho. Além da alegria do reencontro, ficou a promessa de se repetir em 2012, com maior número de presentes e troca de novidades.

FELIZ 2012 PARA TODOS!!!
Que Deus nos abençoe com Paz e Saúde!!!

24 Dezembro 2011

SEGURANÇA DO TRABALHO EM DESTAQUE NA UNIPACS

Em comemoração ao mês dedicado aos profissionais de segurança do trabalho, tendo sido o dia 27 de novembro como aquele definido para tal, a Escola Profissional Unipacs, através da coordenação de Segurança do Trabalho, na pessoa do professor Jeferson Mello, realizou uma série de eventos, tendo como público-alvo os alunos e alunas das turmas do curso. As datas escolhidas foram os dias 18 e 22 de dezembro, complementando com o dia 16 de dezembro.

O dia 18 de dezembro teve como tema principal os Equipamentos de Proteção Individual e suas características e aplicabilidade. Foi palestrante da noite o Sr. Dionísio Moura, proprietário da empresa Moura EPIs, localizada em Sapucaia do Sul. Dionísio ilustrou sua fala com a experiência própria em relação aos equipamentos, e da importância do técnico de segurança ter persuasão na sua argumentação. Encerrou a palestra colocando-se ‘a disposição dos presentes para eventuais dúvidas.

Na terça-feira, dia 22 de novembro, visando compartilhar experiências pessoais e integrar os alunos na nova realidade do mercado de trabalho, a professora Michele Gomes coordenou uma Mesa Redonda com a participação de professores da escola. Estiveram presentes os professores Jairo Brasil, Jeferson Mello, Luciano Bessauer e Marcelo Monfrini. Todos ilustraram a importância de se adotar uma postura profissional e comprometida no ambiente de trabalho. Cada um trouxe seu ponto de vista e contou historias pessoais de vivencia em empresas por onde passaram. A participação dos alunos e alunas foi intensa, com questionamentos e curiosidades.

Finalmente, no dia 16 de dezembro, se fez presente a empresa Stonehenge Alpinismo Industrial, com a fala de seu diretor, Sr. Elton Fagundes. Elton dividiu seu conhecimento sobre trabalho em altura e espaço confinado com o público, inclusive traçando aspectos históricos da Stonehenge. Também tratou do aspecto legal desse trabalho e a grande responsabilidade de realizar essa atividade.

De acordo com o professor Jeferson e coordenador do curso técnico de segurança do trabalho, o objetivo da escola é promover mais vezes este ciclos de palestras, visando uma maior integração dos alunos e incentivar a participação de todos em discussões e uma visão diferenciada do mercado de trabalho.

18 Dezembro 2011

I ENCONTRO DE EX-ALUNOS 2011

É DIA 28 DE DEZEMBRO
ÀS 20 horas
Na Pizzaria Tommatti's
perto da Estação Centro de Canoas do TRENSURB.
Um momento de confraternizar com os antigos colegas e amigos. Vai ser uma Grande Festa.
Estão confirmados colegas, professores, amigos e representantes das empresas
STONEHENGE Alpinismo Industrial, ROAN Equipamentos de Proteção Individual, AUTOMASAFETY Proteção de Máquinas, Revista PROTEÇÃORC Treinamentos e Consultoria.

Enviem seus nomes para jairobras@msn.com , de forma que eu possa fazer a reserva de lugares. Estarei esperando todos vocês para confraternizarmos. Será um prazer recebê-los. Gostaria que avisassem os outros colegas, pois não tenho contato de todos.
Rodízio de Pizzas com 76 sabores, por R$14,90 / pessoa.
Preciso que todos os interessados façam contato até o dia  23 de dezembro, tendo em vista nesta época haver muita demanda.
Abraço e aguardo vocês
Prof. JAIRO BRASIL

17 Dezembro 2011

MITOS E APRENDÊNCIAS

O professor ensina, os alunos aprendem. Certo? Errado!

Foi-se o tempo em que este pensamento era lugar comum nos espaços educadores. O mito de que o conhecimento é posse exclusiva do professor acabou-se. Com o advento dos buscadores da internet, com destaque para o “Google”, que numa clicada é capaz de nos trazer milhares de referências sobre um determinado assunto, mesmo que incluindo algumas inverdades, o conhecimento nunca esteve tão disponível a milhares de pessoas.

Por isso tudo a vida docente é sempre um eterno aprendizado. E também por isso é que faço questão de me manter em contato com alunos e alunas todos os anos. Neste momento, quando o ano termina, várias turmas se encerram. Alguns eu sei que jamais verei nos próximos meses; outros estarão comigo em disciplinas complementares. Mas o que fica são as recordações sobre polemicas, discussões e aprendizados para ambos, alunos e professor. E isso é que vale nessa interação semana a semana, o contato e o aprendizado mútuo.

E neste semestre uma temática veio à tona em nossas aulas introdutórias sobre os agentes ambientais. Numa discussão acirrada sobre os efeitos dos riscos químicos na saúde dos trabalhadores, uma aluna trouxe uma questão no mínimo polêmica, e que suscitou um pouco de pesquisa: o uso do leite como elemento de desintoxicação dos trabalhadores submetidos a agentes químicos.

Foram bons momentos de buscar razões e opiniões, com bastante diversão. Eu, munido da experiência de quem já viveu alguns mitos pela vida fora, de imediato refutei: “Não sei de comprovação científica sobre esse benefício imputado ao leite como desintoxicante”! Mas uma aluna me afirmou que seu pai havia muito tempo recebeu leite da empresa diariamente porque trabalhava em setor de pintura, e o produto era fornecido gratuitamente pela empresa. Ah, e ainda mais, com a indicação do médico da empresa. São destas coisas que nos espantam, quando somos pegos de surpresa por histórias assim. Retruquei à aluna: “Certamente essa empresa deve ter calculado os custos de implantação das medidas de proteção coletiva que reduzissem os níveis de exposição dos trabalhadores, e achou mais viável o fornecimento do leite do que o investimento em medidas de segurança”.

E não são raras as empresas que se valem desta estratégia; fazer uso do pouco conhecimento do trabalhador, iludindo-o com mitos que nos tempos atuais estão totalmente desbancados.

Aproveito o ensejo para trazer aqui uma pequena história muito interessante do advogado trabalhista paranaense e técnico de segurança do trabalho, J. Berbes Farias, em “Memórias de um velho TST”, publicada no seu blog http://www.seesmt.blogspot.com/.


Por volta de 1985 troquei de emprego, outro bem melhor, salário triplicado. Saí de um grupo de empresas - construção civil, concreteira e metalurgia - para ingressar nessa indústria metalúrgica, com aproximadamente 300 empregados, no cargo de Gerente de Pessoal.

Logo no primeiro dia de trabalho me deparei com uma cena interessante, um caminhão descarregava algumas caixas de leite em saquinhos de um litro, três caixas com duas duzias de litros cada um. Perguntando me informaram que era o leite para o pessoal da galvanoplastia, dois litros para cada um, trinta funcionários, o que totalizava em torno de sessenta litros por dia.

No horário do primeiro intervalo para repouso, na parte da manhã, os operários da galvanoplastia formavam um fila na porta da cozinha para pegar a quota diária do leite que levavam direto para o setor onde trabalhavam.

Pedro Murski era um alemão, quase dois metros, cabelo amarelo e braços peludo parecia um urso branco, boa gente, simpático, comunicativo sempre nos visitava no departamento pessoal, invariavelmente uma vez por semana para pedir um vale por conta do pagamento. A empresa nesse ponto era uma mãe e permitia esse tipo de benefício.

Um dia, aproveitando a visita do ursão, pensando em usá-lo como locutor da rádio peão, disse para ele que a empresa estava pensando em suspender a entrega do leite para o pessoal da galvanoplastia.
Assustado ele perguntou o por quê dessa decisão e eu tentei explicar-lhe que o leite não tinha nenhuma propriedade antídota contra os produtos químicos que existiam naquele setor, ao contrário, contribuiam para a inalação daqueles produtos químicos diretamente para o estômago; que o leite não ia para os pulmões, para onde eram inalados os produtos quimicos, etc, e tal.

Tal foi a minha surpresa quando, depois dessa explicação, quase em lágrimas o alemão pediu para que eu não fizesse isso, que esse leite iria fazer falta para ele que tinha cinco filhos, que todos os dias na hora do almoço ele levava aqueles dois litros de leite para as crianças que estavam esperando.
Santo Deus. O coração numa mão e o cérebro na outra. Eu tinha o poder de decidir.

E a pior notícia ainda ele não sabia e nem eu tive coragem para informá-lo: O adicional de insalubridade também iria ser suspenso tendo em vista que as novas instalações eram modernas, havia exaustão suficiente e novos equipamentos de proteção de respiração estariam sendo utilizados no mês seguinte.

Acontece que, mesmo contra a minha vontade e sem minha autorização a notícia da suspensão do leite e do adicional de insalubridade "vazou".

Fiquei sabendo do vazamento da notícia no final do expediente, por volta das dezoito horas saindo no portão da empresa fui cercado por trinta operários que queriam ter uma "conversinha" comigo. Que estória era essa, perguntou um deles, de tirar do nosso salário o adicional de insalubridade, vai ter que explicar direitinho disse o "tição" negrinho de um metro e meio de altura e dois de valentia; e fui sendo cercado, aquado, tô ferrado, pensei.

Pensei rápido e disse:
- calma pessoal! não é nada disso, apenas vamos trocar o nome do vencimento, o adicional de insalubridade vai ser somado no salário, ninguém vai perder nada, no final do mês o valor vai ser o mesmo.
- Há bão! disse um deles.

Devagarinho eu fui explicando,os outros foram entendendo, eu suando mas ao final tudo certo.

Resumindo tive que convencer a diretoria da empresa para que se somasse o valor do adicional de insalubridade e de quarenta e cinco litros de leite no salário de cada um deles, extinguindo assim a entrega diária de leite e o famigerado adicionalde insalubridade, sem alterar o valor final do salário de cada um deles.

Os novos empregados não receberiam o adicional.

Ficaram todos felizes e eu livrei meu couro.

10 Dezembro 2011

I ENCONTRO DE EX-ALUNOS 2011

TODOS ESTÃO CONVIDADOS!
EX-ALUNOS E EX-ALUNAS
Uma oportunidade de rever os ex-colegas e amigos. Enviem seus nomes para jairobras@msn.com , de forma que eu possa fazer a reserva de lugares. Estarei esperando todos vocês para confraternizarmos. Será um prazer recebê-los. Gostaria que avisassem os outros colegas, pois não tenho contato de todos.
Outros professores também estarão participando.

Rodízio de Pizzas com 76 sabores, por R$14,90 / pessoa.
Preciso que todos os interessados façam contato até o dia 15 de dezembro, tendo em vista nesta época haver muita demanda.

Abraço e aguardo vocês

Prof. JAIRO BRASIL

09 Dezembro 2011

A FERRAMENTA DO TREINAMENTO NA PREVENÇÃO DE ACIDENTES

            Ainda há quem duvide que a falta de treinamento nas empresas seja condição “sine qua non” para o sucesso da segurança do trabalho. Existem empregadores que demonstram total negligência com a capacitação de seus funcionários; sabe que devem fazê-lo, mas não atendem nem mesmo algumas exigências legais.

A falta de conhecimento é responsável por uma grande quantidade de acidentes de trabalho. Basta que se observem os números da construção civil, setor onde prepondera a abundância de eventos fatais, resultado da imperícia aliada à imprudência e à negligência como fatores de comportamento comuns no âmbito dos canteiros de obras.

Em visita a empresas e em diálogo com profissionais da área de segurança e saúde, seguidamente retomamos a questão da importância do treinamento. Os motivos para postergar essa ferramenta importante na capacitação e sensibilização de funcionários são os mais diversos, com uma grande incidência na desculpa da falta de tempo. Na sua maioria, os profissionais da área de segurança justificam a falta de treinamento pela agenda apertada e pela correria do dia-a-dia. Mas se os acidentes são medidos pela perda de tempo, como não privilegiar na agenda das ações de segurança da empresa um cronograma de capacitação e sensibilização dos funcionários?  
Em sala de aula constantemente tenho chamado a atenção de alunos e alunas para a importância de os trabalhadores conhecerem a realidade dos riscos existentes no meio ambiente do trabalho. A dinâmica das fábricas demanda uma série de inovações, com uma acentuada quantidade de modificações em máquinas e ferramentas, sem contar as alterações nos processos e nos produtos, implementadas pela área de engenharia da empresa. E os riscos também acompanham essa dinâmica; vem e vão num movimento constante, se intensificam e se abrandam conforme as condições externas ou internas, surgem inesperadamente por déficits de manutenção e descuido na organização do trabalho.

Por tudo isso é que chamar a atenção dos trabalhadores para os riscos existentes, suas características e os prejuízos que podem trazer à saúde, faz parte das atividades periódicas dos profissionais de segurança do trabalho. Sobre o tema treinamento ainda podemos lembrar aqui o texto da NR 09 – PPRA, quando no item 9.3.5.3, sobre as medidas de proteção coletiva, destaca o seguinte:

9.3.5.3: “A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser acompanhada de treinamento dos trabalhadores quanto aos procedimentos que assegurem a sua eficiência e de informação sobre as eventuais limitações de proteção que ofereçam”.

Ou seja, não é só implantar exaustores, dissipadores de aerodispersóides, neutralizadores de motores a combustão ou isolamento acústico para ruídos. Há que se divulgar como se dará sua utilização de forma mais eficiente e até que ponto o trabalhador estará protegido fazendo uso daquelas medidas.

Outra norma regulamentadora, entre tantas, que também chama a atenção para a importância da capacitação dos trabalhadores é a NR 06 – Equipamentos de Proteção Individual. Dentro do Item 6.6.1, que trata das responsabilidades do Empregador, diz o texto na letra “d”:

6.6.1 – Cabe ao empregador quanto ao EPI:
[...]
d) “orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação”.

Mais uma vez a norma é clara ao determinar a responsabilidade do empregador em treinar o trabalhador no uso destas medidas de proteção individual. E quem assume essa tarefa de proporcionar o conhecimento devido ao trabalhador? Aquele que ele contratou para este fim: o profissional de segurança do trabalho; normalmente, o técnico de segurança do trabalho. Não se pode convir que o trabalhador de antemão já possua o conhecimento necessário na utilização dessas proteções. O técnico de segurança do trabalho deve partir do pressuposto de que no ingresso do trabalhador na empresa ele ignore essas proteções e a forma correta de utilizá-las. Esse é a postura adequada do profissional de segurança do trabalho em relação aos recém contratados.

Por fim, o treinamento se mostra imprescindível na tarefa que cada trabalhador irá executar dentro do processo. Mesmo que o profissional contratado tenha experiência em sua atividade, cada empresa guarda aspectos peculiares e específicos. Por isso, nos primeiros dias deverá ter o acompanhamento de um “facilitador”, instrutor que atua como um “padrinho”, e que o acompanhará pelo menos durante uma semana até que esteja totalmente integrado à realidade da empresa. E isso faz toda a diferença em termos de segurança do trabalho e na prevenção de acidentes. A obra Análise de Acidentes de Trabalho Fatais no RS, publicada em 2008 pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio Grande do Sul, em seu Capítulo II, trata de forma interessante a inexperiência dos trabalhadores recém contratados, à página 36:

“O trabalhador recém-contratado para exercer determinada função na empresa é inexperiente por vários motivos: ele não está habituado com o processo ou com as variáveis pertinentes à organização do trabalho nem com o sistema de gestão de riscos; ainda não tem vivência das tarefas impostas; desconhece os colegas para partilhar atividades comuns e também os meandros dos locais de trabalho e os planos de contingência para situações de emergência; ignora o sistema de manutenção de máquinas e equipamentos e sua eficácia; ainda não experimentou as mudanças súbitas que podem ocorrer a qualquer momento nos processos operacionais.

Ainda que o trabalhador tenha acumulado muita experiência em funções semelhantes anteriormente desempenhadas, cada novo processo laboral ou cada novo local de trabalho é singular, único nas suas particularidades. As razões acima explicitam fatores que contribuem para o elevado número de óbitos atribuíveis à inexperiência no decurso dos primeiros tempos após o ingresso na empresa. Imputar a causa do acidente à inexperiência do trabalhador é uma abordagem reducionista que não privilegia a multiplicidade de fatores causais usualmente envolvidos na gênese dos acidentes fatais”.

Então, se o treinamento ainda não faz parte de sua agenda como profissional de segurança do trabalho, ou pouco espaço ocupa nela, é necessário que reveja sua rotina e torne essa ferramenta bem explorada. Convenhamos, ninguém nasce sabendo, não é mesmo? Por isso, implantar as proteções coletivas e não informar usuários sobre seu uso, benefícios e limitações, bem como, jogar no colo do trabalhador uma quantidade de equipamentos de proteção individual, supondo que ele conheça a forma correta de utilizá-los, seus benefícios e suas limitações, não faz parte de uma política de segurança responsável. Depois ninguém entende a ocorrência de causas trabalhistas em que o reclamante faz referência de que nunca lhe disseram como e porquê utilizar aquelas medidas de proteção.        

DENÚNCIA
contra a
PREFEITURA DE CANOAS
e em favor da
FAZENDA GUAJUVIRAS

A Prefeitura Municipal de Canoas pretende implantar um projeto de Parque Industrial numa das últimas áreas verdes do município, a Fazenda Guajuviras, 500 hectares de mata nativa na divisa com o município de Cachoeirinha.
Mande uma mensagem no espaço “FALE COM O PROFESSOR” manifestando-se a respeito do Projeto da Prefeitura de Canoas. Leia a denúncia publicada no dia 04/12 em http://profjairobrasil.blogspot.com/2011/12/denuncia-em-defesa-da-fazenda.html

04 Dezembro 2011

DENÚNCIA: EM DEFESA DA FAZENDA GUAJUVIRAS

Quem mora em Canoas não pode ignorar as mudanças pelas quais a cidade tem passado, principalmente pelas boas obras proporcionadas pela nova administração do prefeito Jairo Jorge. A limpeza da cidade é evidente, com melhorias visíveis em praças, ruas e calçadas.

Mas uma outra mudança ocorrida na cidade tem trazido preocupação, principalmente para a população que admira o verde e se preocupa com as poucas áreas preservadas que ainda sobram no município. A ganância imobiliária que se expande por Canoas é de assombrar. Não há mais lugar nos semáforos da BR-116 para tantos entregadores de panfletos de divulgação de novos empreendimentos imobiliários.
E a prefeitura do município parece inerte nestas questões. Aliás, tem contribuído para expandir essa fúria imobiliária, parcelando terras e destinando alguns lotes para projetos especiais sem sequer consultar a população. Foi o que ocorreu ainda no governo Yeda Cruzius em 2010 com a disponibilização de área para construção do Presídio de Segurança Máxima.

Agora, mais vez a prefeitura do Partido dos Trabalhadores, administrada pelo prefeito Jairo Jorge, toma uma medida sem consultar a população: a criação do projeto Parque Canoas de Inovação, o chamado “PCI”. O que restou da Fazenda Guajuviras vai ser leiloado à iniciativa privada em nome do progresso e do crescimento de Canoas. Tudo como em outras vezes já se viu: lotes doados para construção, máquinas operatrizes a disposição e isenção de impostos por longa data. É muito fácil lidar com o patrimônio do povo, utilizando-o em prol das futuras campanhas eleitorais. Só não vê quem não quer!
Canoas não precisa de mais uma área industrial. Prá quem não conhece, basta observar algumas áreas criadas para abrigar empresas em anos passados, e que estão subutilizadas: a Frederico Ozanan, a Berto Círio, a Niterói e outras mais. Basta que se faça uma reavaliação destas áreas e utilizá-las de forma mais racional. O projeto do PCI tem como protagonista o ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, Jaime Lerner, que cobrou uma quantia milionária pela elaboração, conforme denúncia do Jornal “O Timoneiro” em sua última edição. Diz ainda aquele semanário, o único oposicionista na cidade, já que o executivo municipal arrebanhou toda a oposição do legislativo para suas hostes nos últimos meses: “Localizado na Fazenda Guajuviras, área de 500 hectares de mata, na região nordeste de Canoas, o CI é, segundo o que diz a prefeitura, um parque de inovação que alia empresas, talento e criatividade com os principais setores econômicos da região. Vale lembrar que a fazenda é uma área de preservação ambiental que vai sofrer uma série de intervenções nocivas à sua integridade devido à decisão da prefeitura de instalar um presídio e um parque industrial nas suas dependências".

Basta de desmatamento, de torres empresariais, de condomínios horizontais e de projetos mirabolantes em nome do progresso. O que Canoas quer é melhoria na Saúde, Educação e Segurança Pública. Temos o segundo maior PIB do Estado e o que precisa é uma maior participação dos empresários com a responsabilidade social, auxiliando a prefeitura e beneficiando uma população que merece mais atenção da classe empresarial, por tudo que lucraram durante muitos anos na exploração dos recursos que o município lhes proporcionou. Cadê a família Stefani, a família Biazus, a família Baja das lojas do Centro e muitas outras influentes da cidade? Será que precisamos de mais empresários para explorar os recursos naturais que ainda restam em nossa cidade? E o que vai sobrar para nossos filhos e netos? Só concreto e ruas calçadas?

03 Dezembro 2011

TELEATENDIMENTO/TELEMARKETING: ESTAMOS TODOS REFÉNS DOS CALL CENTERS

O mês de novembro marcou minha vida de consumidor de forma incisiva. Nunca fiquei tão incomodado e irritado pelo péssimo atendimento de empresas prestadoras de serviços, através de seus call centers, ou os famosos “teleatendimentos”. Este método foi criado por sua importância estratégica em reduzir distâncias, contribuir com a fidelização do cliente, elevar as ações de vendas e ainda tem grande potencial de crescimento, segundo as próprias empresas que dele fazem uso. Essa estratégia de comercialização tem sido alvo de insatisfação por parte de pessoas que vivenciam a experiência. Tendo em vista o crescimento e a carência de técnicas na área de televendas e as diferentes expectativas da empresa e do cliente, observa-se cada vez mais um abuso por parte das empresas no uso desta estratégia. O tempo de espera quando os canais se entopem de ligações é um absurdo. Aí, nesta hora, não resta outra alternativa a não ser aturar músicas ridículas já bem conhecidas, entremeadas com espaços publicitários que irritam o ouvinte pela persistência e repetitividade. Sem contar aquele número de protocolo que você sempre deve copiar para comprovar as ações que foram realizadas durante o atendimento. E é nesse momento que o papel some a as canetas nos abandonam, não é mesmo?

E a impressão que se tem das teleatendentes é aquela figura com voz macia, uma moça linda e que nunca se irrita. Duvido que essa seja a realidade! Aliás, é um dos segmentos que está na mira do Ministério do Trabalho, pois nunca houve tanta queixa trabalhista quanto destes trabalhadores e trabalhadoras de Call Center. Prá nós que somos da prevenção de acidentes de trabalho e de doenças do trabalho é interessante dar uma consultada no anexo II da NR 17 – Trabalho em Teleatendimento/Telemarketing. A maioria das empresas sequer tem conhecimento desta legislação. Mas elas que aguardem, pois há projetos da auditoria-fiscal do trabalho do MTE que visa intensificar a fiscalização nos próximos anos, com interdição de muitos estabelecimentos irregulares.

No início de novembro mudei-me dentro do próprio município de Canoas, de um bairro a outro, sem que isso significasse uma distância maior do que cinco quilômetros. Foi o que bastou para minha vida se tornar um purgatório, pagando pecados pelos quais nem imaginava me fosse tapo merecedor. Diante da necessidade de realizar mudanças no endereço de prestadores de serviços, me vi obrigado a ligar para os Call Centers. Foram vários contatos: telefonia fixa, telefonia celular, internet banda larga, planos de saúde, televisão a cabo, energia elétrica, bancos e assinaturas de revistas. Mas o problema não foi a quantidade de serviços. O caos se instalou quando me pediam para “obrigado por aguardar, já estamos finalizando”, ou “já estamos transferindo sua ligação para o setor competente”. Alguns serviços demoraram quase três dias para serem alterados, outros mais uns cinco dias para serem instalados, outros ainda nem estavam disponíveis no novo endereço, como por exemplo, a internet. E não adianta espernear e reclamar, pois essas empresas hoje atendem de forma virtual, sem personificação. No mínimo com o primeiro nome. Experimente perguntar o sobrenome do funcionário? Foi-se o tempo em que a gente chegava no balcão e podia “encarar” o atendente ou a atendente e dizer: “Moça, por favor, me chama o gerente”.

Não sei se algum de vocês é capaz de lembrar, mas o caso dos teleatendimentos ou Call Centers foi tema de discussões infindáveis no Congresso Nacional, onde parecia que o sofrimento do consumidor brasileiro seria amenizado por uma legislação mais rigorosa e mais eficiente. Depois de muitas articulações entre os políticos responsáveis pela elaboração de nossas leis no poder legislativo, alguns representando o consumidor e outros defendendo as empresas (e esse embate é freqüente dentro do congresso), a versão final foi assinada em julho de 2008 pelo presidente Lula, com as empresas tendo 120 dias para se adequarem.
Algumas exigências foram trazidas pela nova lei, como por exemplo: as empresas teriam que investir em qualificação dos atendentes, aumentar os quadros de funcionários e modificar os sistemas informatizados de atendimento para cumprir as novas regras.

Então cabe a pergunta: Você notou alguma mudança no sistema de Call Center após a Lei de Julho de 2008?

O que se vê atualmente é que a lei nada contribuiu para melhorar o atendimento. O absurdo do desrespeito continua e parece que com maior intensidade. São horas e horas escutando músicas e merchadising para ser atendido. Para terem uma idéia, outro dia liguei para um Call Center para solicitar o cancelamento de um serviço. Depois de aguardar mais de duas horas com o celular no viva-voz, fui até o Procon da cidade e fiz a reclamação. Não precisei nem explicar ao pessoal do Procon do que se tratava. Mostrei ao rapaz que me atendeu a quantidade de tempo que eu esperava: duas horas e trinta e oito minutos. Somente após a ameaça do Serviço de Atendimento ao Consumidor é que consegui dar um basta a um serviço que há tempo me trazia grande insatisfação. Não foi fácil!

O lobby das operadoras de telefonia e das telecomunicações de maneira geral é muito forte. Muitas delas abastecem campanhas políticas com dose forte de recursos financeiros, o que implica numa negligência do legislativo em aprofundar o assunto ou impor sanções pesadas a este segmento da atividade econômica. Sem contar que a grande maioria das empresas já se utilizam dos teleatendimentos para atender seus consumidores. E como se sabe que os interesses corporativos no congresso nacional muitas vezes estão acima dos interesses da sociedade, salvo raras exceções, prevalece quem tem mais poder de influência.

Por enquanto, vamos fazendo o que é possível para termos reconhecidos nossos direitos. Trago algumas dicas para vocês pela experiência que já possuo no embate com esses serviços, pois já obtive vitórias muito suadas e que vocês poderão também experimentar.

Minha primeira dica é não esquecer de guardar comprovantes e documentos que comprovem a relação empresa e consumidor. Não jogue fora documentos antes de uma análise minuciosa de sua utilidade.
A segunda dica é fazer reclamações que surpreendam a empresa reclamada, utilizando canais como a página www.reclameaqui.com.br ou www.guiadosac.com.br. No primeiro canal já obtive sucesso com varias solicitações, inclusive com contatos telefônicos da empresa para resolver a pendência no mesmo dia em que postei a reclamação. Acesse, faça seu cadastro e experimente. Funciona na maioria das vezes. Se não funcionar procure o Procon de sua cidade. Depois do Procon, a alternativa seguinte é o Ministério Público. Caso não consiga neste órgão, procure um advogado e faça uma avaliação. Mas cuidado com o profissional consultado, pois é importante que tenha casos já resolvidos com sucesso e um bom passado que pode ser comprovado com outros clientes já atendidos. Caso contrário, você ficará a mercê de um ditado que meu pai costumava pronunciar: “Nesse caso, vá se queixar ao Bispo!”