21 outubro 2017

AFINAL, O QUE É TRABALHO ESCRAVO?

A produção de carvão concentra grande quantidade de trabalho escravo
Por inúmeras vezes fiz uso deste espaço para falar de uma chaga que assola grande parte dos trabalhadores neste país: o trabalho escravo. Um país como o nosso, acostumado desde seus primórdios ao uso e abuso de mão de obra sem a devida valorização, desenvolveu alguns mecanismos nas ultimas décadas que frearam em parte esta exploração.

E os auditores fiscais do Ministério Público do Trabalho foram responsáveis pelo resgate de enorme quantidade destes trabalhadores, principalmente em fazendas e trabalhos no meio rural, onde é possível acobertar das autoridades fiscais por causa da distancia um sem número de injustiças e trabalho degradante. Some-se ainda a isso, a falta de conhecimento de seus direitos pelos próprios trabalhadores.

Trabalhos desenvolvidos no meio rural são os que
mais concentram trabalho escravo
 
Muitos são obrigados ainda hoje a trabalhar pela comida, ou então assumem dívidas impagáveis junto à elite de coronéis que os contratam, quando não são submetidos ao cárcere para que fiquem impossibilitados de denunciar estes maus tratos.

Mas outra coisa ainda deve ser enfatizada quando se trata de falar do trabalho escravo: “grande parte das denuncias tem sua origem em terras de propriedade de destacados representantes da política nacional, deputados federais e senadores!” Para se ter uma ideia, na “Lista Suja” publicada recentemente, constava o nome do tio do senador Ronaldo Caiado, com trabalho degradante na produção de carvão no interior de Goiás.    

Senador Ronaldo Caiado teve parentes envolvidos na Lista Suja
E agora, envolvido nas maracutaias que a Operação Lava-Jato descobriu, e em busca de votos que possam frear uma possível condenação, o presidente corrupto da república faz uso de seu poder para amenizar as denuncias de trabalho escravo. Ao invés de estar ao lado do povo, se mancomuna com a “bancada ruralista” com benefícios que acobertem as irregularidades em troca de votos que o livrem do Supremo Tribunal Federal.  

Agora, para que seja considerado “trabalho escravo”, tudo deve passar pela lente do Ministro do Trabalho antes de ser publicado oficialmente.

Indignados com a postura da presidência da república, bem como do Ministério do Trabalho, os auditores fiscais do MPT paralisaram as ações de fiscalização em 21 estados da federação no último dia 18 de outubro. O ato foi motivado pela publicação da Portaria 1.129/2017 que determina que “jornadas extenuantes e condições degradantes, a partir da agora, só serão consideradas condições análogas à escravidão se houver restrição de liberdade do trabalhador”. Uma vergonha, em pleno século XXI.

A declaração sínica do Ministro Gilmar Mendes
indignou muitos brasileiros
 
E para demonstrar que não somente os Poderes Executivo e Legislativo estão deteriorados atualmente no Brasil, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, numa demonstração de enorme “cinismo” declarou em entrevista que também se submete a “trabalho exaustivo” quando atua no STF e no TSE ao mesmo tempo, mas que não considera isso um “trabalho escravo”. 

Um verdadeiro absurdo. Basta que se veja o comprovante de rendimentos deste senhor. E além do salário de Ministro, possui carro com motorista particular, segurança 24 horas, plano de saúde de carreira e outras bonificações do cargo. Gilmar Mendes também é dono de uma Faculdade de Direito em Brasília.    

Mas, como diz meu velho Pai: "Melhor ouvir isso do que ser surdo!!!  Ou não?"

   

14 outubro 2017

O BORBOLETEIO COGNITIVO DA INTERNET

A leitura é capaz de transformar qualquer pessoa
pela capacidade de ver o mundo de outra forma
Se há uma coisa que transformou minha existência, indubitavelmente, foi a leitura. Desde que adotei o hábito de ler com frequência posso afirmar que para mim muita coisa mudou. Sou mais crítico desde então, mas também bem mais compreensivo com as questões existenciais. Por isso, vivo conclamando aos meus alunos e alunas para que busquem na leitura uma nova forma de ver o mundo.

Mas tenho observado que a Internet, através de seus pequenos excertos (aquilo que a gente chama de “Leitura Mínima”), atrai muito mais do que os meus apelos. E as Redes Sociais, diferentemente dos livros, ficam à disposição a qualquer hora e em qualquer lugar através dos smartphones. É uma concorrência desleal, com certeza. 

O peruano Mario Vargas Llosa e sua obra
"A civilização do espetáculo"
E nestas últimas semanas de setembro, um livro me entorpeceu ao tratar deste assunto. Um grande escritor da atualidade, peruano de nascimento e premio Nobel de Literatura em 2010, chamado Mario Vargas Llosa, escreveu “A civilização do espetáculo: uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura”. Escrito em 2013, a obra mostra uma visão do autor sobre o que se entende (ou entendia) por “cultura” e que, segundo ele, passou por uma metamorfose desde que o mesmo entrou na universidade, sendo adulterada com muita facilidade e com a aquiescência de todos.

Para uma resenha bem completa da obra, certamente teria eu que aqui acrescentar muitas páginas, o que pode desperdiçar o tempo dos leitores. Por isso, já não é de hoje que procuro ser econômico e sintético, e que para nós apreciadores do bom texto é quase o cometimento de um “crime”. Mas vamos lá...

Para o escritor, o progresso é fruto do empenho de
especialistas, e não da cultura
 
Llosa inicia sua obra referindo que a cultura de hoje é influenciada por um mercado que busca, antes de mais nada, o entretenimento. E que por causa disso, os próprios “intelectuais” tem se escondido ou desapareceram. Segundo ele “hoje vivemos a primazia das imagens sobre as ideias. Por isso os meios audiovisuais, cinema, televisão e agora a internet, foram deixando os livros para trás, que [...] dentro de não muito tempo estarão mortos e enterrados” (p. 41). 

Mas quando se fala em uma redução da qualidade da cultura em pleno século XXI, o autor salienta que o progresso demonstrado pelo avanço da tecnologia “é obra de especialistas e não de pessoas cultas” (p.63).

Num capítulo intitulado “É proibido proibir” Llosa dedica especial atenção à educação, citando alguns documentários recentes sobre agressões de que são vítimas docentes e discentes. Como não poderia deixar de ser, o autor remete a “maio de 1968” como uma possível origem desta barbárie. Destaca ele que em nenhum campo houve tamanha influência negativa para a cultura quanto na educação.

Observem um pequeno excerto extraído do conteúdo:

Para ele ainda, a qualidade da cultura também foi afetada
pelo despojamento da autoridade docente
“O mestre, despojado de credibilidade e autoridade, muitas vezes transformado, do ponto de vista progressista, em representante do poder repressivo – ou seja, no inimigo ao qual era preciso resistir e que se devia até mesmo abater, caso se quisesse alcançar a liberdade e a dignidade humana –, não só perdeu a confiança e o respeito sem os quais era impossível cumprir eficazmente sua função de educador – de transmissor tanto de valores como de conhecimentos – perante seus alunos, como também o dos próprios pais de família e de filósofos revolucionários que, à maneira do autor de Vigia e Punir, nele encarnaram um daqueles sinistros instrumentos – como os carcereiros e psiquiatras dos manicômios –, dos quais o establishment se vale para coibir o espírito crítico e a sã rebeldia de crianças e adolescentes.” (p. 76)
               
Muito mais ainda traz o autor da nossa realidade atual, e do quanto, para ele, a cultura perdeu nos últimos anos. Traços de uma liquidação do erotismo em troca da animalização da sexualidade, no capítulo “O sexo frio”, ou da influência religiosa sobre a qualidade da cultura, no capítulo “O ópio do povo”.

Mas quase no epílogo da obra, num artigo escrito para o periódico “El País” em julho de 2011, denominado “Mais informação, menos conhecimento”, pude ver minha ansiedade retratada e confirmada pelo autor, quando destaca a preguiça e a resistência da geração atual pela leitura. Diz ele:

Segundo Llosa, muitas pesquisas na internet não
passam de "borboleteios cognitivos"
“Esses alunos não tem culpa de serem agora incapazes de ler Guerra e Paz ou Dom Quixote. Acostumados a pescar informações nos computadores, sem precisarem fazer esforços prolongados de concentração, foram perdendo o hábito e até a faculdade de se concentrar, e se condicionaram a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que a rede os acostuma, com suas infinitas conexões e saltos para acréscimos e complementos, de modo que ficaram de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongada dedicação àquilo que se lê”. (p. 192)

Mais adiante, ainda no mesmo artigo, ele destaca que não se pode deduzir que o progresso não ocorre por causa dessa cultura vigente, mas que devemos nos preocupar se esse progresso significa o que Van Nimwegen, biólogo estudioso do cérebro humano, “deduziu depois de um de seus experimentos: que deixar por conta dos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz a capacidade do cérebro de construir estruturas estáveis de conhecimento. Em outras palavras: quanto mais inteligente nosso computador, mais burro seremos”. (p. 192 e 193)


Portanto, para aqueles que gostam de uma boa leitura que permita refletir sobre os dias atuais, sugiro esta obra instigante. Vale a pena...         

07 outubro 2017

O QUE TEMOS FEITO COM NOSSAS CRIANÇAS


O futuro depende de como lidamos com a infância 
em nosso país
O mês de Outubro tem uma marca muito especial, é o mês em que se comemora o DIA DAS CRIANÇAS. Mas cabe aproveitar este momento para enfatizar algumas coisas não tão boas que temos feito com as nossas crianças, cujo resultado estamos colhendo a cada dia com a violência de adolescentes e, até mesmo adultos, que iniciam no mundo do crime muito cedo. E se não estudarmos a fundo, e investirmos pesadamente para mudar esta realidade, certamente não teremos boas noticias para as próximas gerações.  

Abuso ou Maltrato Infantil

abuso infantil, ou maltrato infantil, é o abuso físico e/ou psicológico de uma criança, por parte de seus pais - sejam biológicos, padrastos ou adotivos - por outro adulto que possui a guarda da criança, ou mesmo por outros adultos próximos da criança como pessoas da família ou professores da escola onde cada vítima anda.

A maioria dos abusos contra crianças ocorre dentro de casa
O abuso infantil envolve a imperícia, imprudência ou a negligência (estes elementos constituem a definição legal de "culpa") ou um ato praticado com dolo por parte do adulto contra o bem-estar ou a saúde da criança, como alimentação ou abrigo. Também comumente envolve agressões psicológicas como xingamentos ou palavras que causam danos psicológicos à criança, e/ou agressões de caráter físico como espancamento, queimaduras ou abuso sexual (que também causam danos, psicológicos inclusive).

Os motivos do abuso infantil são vários, entre eles, destacam-se a própria ignorância do que é abuso infantil e, é claro, os resultantes de transtornos vários da mente humana, além de vícios, como o alcoolismo e o uso de drogas ilegais. Muitas vezes, os pais/cuidadores da criança são pobres e/ou possuem pouca educação, e podem tentar impedir o acesso da criança aos serviços médicos necessários, evitando a descoberta do abuso por parte dos médicos.

A Violência Física é que mais se destaca nas estatísticas
Violência doméstica e física

Segundo Azevedo & Guerra (2007), corresponde ao emprego de força física no processo disciplinador de uma criança ou adolescente por parte de seus pais (ou quem exercer tal papel no âmbito familiar como, por exemplo, pais adotivos, padrastos, madrastas). A literatura é muito controvertida em termos de quais atos podem ser considerados violentos: desde a simples palmada no bumbum até agressões com armas brancas e de fogo, com instrumentos (pau, barra de ferro, taco de bilhar, tamancos etc.) e imposição de queimaduras, socos, pontapés. Cada pesquisador tem incluído, em seu estudo, os métodos que considera violentos no processo educacional pais-filhos, embora haja ponderações científicas mais recentes no sentido de que a violência deve se relacionar a qualquer ato disciplinar que atinja o corpo de uma criança ou de um adolescente. Prova desta tendência é o surgimento de legislações que proibiram o emprego de punição corporal, em todas as suas modalidades, na relação pais-filhos (Exemplo: as legislações da Suécia - 1979; Finlândia - 1983; Noruega - 1987; Áustria - 1989).

Violência doméstica psicológica


O Grau de Parentesco também destaca a violência
dentro de casa
Segundo Azevedo & Guerra (2007), a violência psicológica também designada como "tortura psicológica", ocorre quando o adulto constantemente deprecia a criança, bloqueia seus esforços de auto-aceitação, causando-lhe grande sofrimento mental. Ameaças de abandono também podem tornar uma criança medrosa e ansiosa, representando formas de sofrimento psicológico.

Pode-se manifestar como:

·         Isolamento emocional

·         Dificuldades de fala ou linguagem

·         Ausência de contato olho a olho

·         Medo (real ou aparente) da vítima em relação ao agressor(es)

Violência sexual


Segundo Azevedo & Guerra (2007), configura-se a violência sexual doméstica como todo ato ou jogo sexual, relação hétero ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança ou adolescente, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa. A intenção do processo de Violência Sexual é sempre o prazer (direto ou indireto) do adulto, sendo que o mecanismo que possibilita a participação da criança é a coerção exercida pelo adulto.

Negligência


Segundo Azevedo & Guerra (2007) a negligência consiste uma omissão em termos de prover as necessidades físicas e emocionais de uma criança ou adolescente. Configura-se quando os pais (ou responsáveis) falham em termos de alimentar, de vestir adequadamente seus filhos, de prover educação e supervisão adequadas, e quando tal falha não é o resultado das condições de vida além do seu controle. A Negligência pode-se apresentar como moderada ou severa. Nas residências em que os pais negligenciam severamente os filhos, observa-se, de modo geral, que os alimentos nunca são providenciados, não há rotinas na habitação e para as crianças, não há roupas limpas, o ambiente físico é muito sujo com lixo espalhado por todos os lados, as crianças são muitas vezes deixadas sozinhas por diversos dias. 

A literatura registra entre esses pais, um consumo elevado de drogas, de álcool, uma presença significativa de desordens severas de personalidade. O termo vem sendo ampliado para incorporar a chamada supervisão perigosa. 

Fica a brilhante composição de Toquinho em homenagem às Crianças neste 12 de Outubro:

Fonte: Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Abuso_infantil

30 setembro 2017

AS TORRES GÊMEAS BRASILEIRAS


Yachthouse Residence Club, as torres gêmeas brasileiras
em Balneário Camboriú
Sempre acreditei que a criatividade fosse um imperativo dos indivíduos ousados, pois quem tem bom senso em demasia se vê restringido do poder criativo. Esse é um postulado. Outro, em sentido contrário, ressalta o que os japoneses se tornaram exímios e exercitaram ao longo de décadas: “Tudo que é bom e promissor, deve ser copiado ou aprimorado!"
Pois bem, não tenho certeza que seja uma cópia ou espírito criativo o que começa a tomar forma no litoral catarinense: o Yachthouse Residence Club em Balneário Camboriú. E ainda inconclusa, a obra já soma um acidente com danos materiais em seu cronograma. Na última segunda-feira, dia 25 de setembro, uma carga de concreto desabou do 50° andar sobre os veículos estacionados na calçada da Avenida Normando Tedesco, sem prejuízos pessoais felizmente. 
As Torres Gêmeas brasileiras terão 75 andares e uma marina em anexo

O empreendimento foi projetado para ter 75 andares em cada uma das torres, sendo o primeiro imóvel do país a ter uma marina anexa parra os proprietários. O imóvel tem a assinatura do estúdio de design italiano Pinifarina, reconhecido internacionalmente pelos projetos de marcas como Ferrari e Rolls-Royce. 

Diante do ocorrido na segunda, o Ministério Público Federal de SC solicitou a paralisação da obra, até que houvesse a comprovação de que havia condições seguras para a retomada. E tão logo teve ciência da ação do MP, a construtora providenciou o laudo técnico e de segurança da obra, o PCMAT atualizado, os comprovantes de capacitação dos operários para trabalho em altura, entre outros, e a presença permanente de uma equipe de Medicina do Trabalho à disposição no canteiro de obras.
Na segunda, dia 25, uma carga de concreto desabou
do 50.o andar sobre a calçada

Assim que o ocorrido foi notificado, uma perícia realizada pela Defesa Civil e pela Secretaria de Planejamento Urbano do município constatou não ter havido danos à estrutura e comprovou a segurança da obra. Diante disso, a juíza Adriana Lisboa, da Vara da Fazenda Pública de Balneário Camboriú solicitou que o MP-SC se manifestasse sobre o pedido de interdição, já que todos os requisitos foram atendidos e demonstraram responsabilidade por parte da empresa. O Ministério ainda não se manifestou, mas é provável que atenda a juíza nas próximas horas.
Em se tratando de saúde e segurança do trabalho, tema que a muitos de nós é sempre pertinente, o caso relatado demonstra duas facetas importantes. A primeira destaca que a empresa adotou “quase” todos os requisitos indispensáveis para uma obra de tamanha envergadura: documentação, treinamento, equipe de atendimento, etc. A segunda faceta poderia ter ensejado um acidente grave, pois houve falha grave que determinou a queda de material sobre a calçada, e que poderia ter evoluído para um acidente grave caso houvesse ali pedestres em circulação. 
A sorte se fez presente também.
Tomara a nova versão das “Torres Gêmeas”, agora no litoral do Brasil, consigam ser erguidas até sua conclusão sem qualquer outro de acidente.
E que também por aqui não frutifique nenhum “grupo terrorista” brasileiro, sob o comando de algum “Osama Bin Laden” tupiniquim. 

23 setembro 2017

O PORQUÊ DO SETEMBRO AMARELO...


Estamos no Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio. O Ministério da Saúde divulgou, nesta quinta-feira (21/9), o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil. Um dos alertas é a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos. Nessa faixa etária, foram registradas média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 por 100 mil. Também chamam atenção o alto índice entre jovens, principalmente homens, e indígenas. 

Enforcamento é a maior causa de mortes

O diagnóstico registrou entre 2011 e 2016, 62.804 mortes por suicídio, a maioria (62%) por enforcamento. Os homens concretizaram o ato mais do que as mulheres, correspondendo a 79% do total de óbitos registrados. Os solteiros, viúvos e divorciados, foram os que mais morreram por suicídio (60,4%). Na comparação entre raça/cor, a maior incidência é na população indígena. A taxa de mortalidade entre os índios é quase três vezes maior (15,2) do que o registrado entre os brancos (5,9) e negros (4,7). 

A morte por enforcamento é a causa de 62%  dos suicídios
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é maior entre os homens, cuja taxa é de 9 mortes por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, o índice é quase quatro vezes menor (2,4 por 100 mil). Na população indígena, a faixa etária de 10 a 19 anos concentra 44,8% dos óbitos.

Concentração de Mortes no Sul

Um dos fatos que mais chamam a atenção dos técnicos do órgão é a concentração de registros de casos em algumas áreas do País. A região Sul apresenta 23% dos casos, embora responda por 14% da população brasileira. O Sul é acompanhado pelo Ministério da Saúde há 10 anos e há fortes indícios de que o problema possa estar relacionado à cultura do fumo e aos agrotóxicos usados nas lavouras.
Forquetinha é o município brasileiro com
maior índice de suicídios por habitante

"Pesticidas manganês aumentam o risco de provocar danos ao sistema nervoso central", observa a diretora do departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Fátima Marinho. Para ela, essa relação precisa ser acompanhada de perto. "Além do suicídio, a ação do pesticida está associada a outros agravos, que também precisam ser avaliados, como câncer e más-formações congênitas. Esse assunto precisa estar na agenda."

Três cidades gaúchas se destacam por casos de Suicídio

Pelos dados coletados pelo Ministério da Saúde, estão no Rio Grande do Sul três das quatro cidades com piores indicadores de suicídio. O município de Forquetinha é o que apresenta a pior taxa de suicídio no País. São 78,7 casos a cada 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia, a taxa de mortalidade nacional é de 5,7 a cada 100 mil.

Outros dois municípios gaúchos estão entre os
maiores índices de suicídio no Brasil
Em segundo lugar, vem Taipas do Tocantins, com 57 casos por 100 mil. Travesseiro, no Rio Grande do Sul, vem em terceiro lugar, com 55,8 casos por 100 mil; e André da Rocha, também no Rio Grande do Sul, com 52,4. Também são consideradas de risco regiões do Piauí e a divisa entre São Paulo e Minas. 

Faculdade FACTUM terá programação

Nos dias 26 e 29 de setembro, a Faculdade FACTUM terá uma programação de Palestras dentro do Setembro Amarelo. Elas acontecerão nos três turnos com palestrantes diferentes. Veja abaixo a programação.

A Faculdade FACTUM promove palestras na próxima semana. Veja abaixo a Programação.

Data
Horário
Palestrante
Tema
26/09
08h às 11h45

Profª Clarissa Pessota - Psicóloga
“Precisamos falar sobre o Suicídio”
13h45 às 17h30

Prof. Paulo Fernando Ferraz - Psicólogo
“Ligados à Vida por um Fio: o Suicídio”
18h45 às 22h15

Profª Daniela Berger - Psicóloga
“Prevenção ao Suicídio”
29/09
18h45 às 20h30
Prof. Paulo Fernando Ferraz - Psicólogo
“Ligados à Vida por um Fio: o Suicídio”


16 setembro 2017

SERÁ MESMO O FIM DO TST?


Algumas publicações nas redes sociais esta semana
levaram pânico aos técnicos
Um assunto polarizou as redes sociais por aqui esta semana.  Assunto este diretamente relacionado com a educação técnica profissionalizante em segurança do trabalho, e que me vejo envolvido há mais de quinze anos. Uma polêmica tomou conta das discussões e comentários, o Projeto de Lei 6179 de 2009, que dispõe sobre o Bacharelado em Segurança do Trabalho e dá outras disposições. 
Já “de cara” houve um alvoroço geral por parte dos já formados e de quem está buscando formação. Perguntas de todo tipo respingaram prá todos os lados. E não era prá menos, pois em pleno ambiente de crise, mexer com um ambiente de trabalho que está em franca acomodação, com poucas oportunidades e baixas demandas, só podia dar nisso. Muita gente já queria saber quando a lei seria aprovada. Outros apavorados se os conteúdos já estudados nos cursos em andamento seriam aproveitados no currículo de nível superior. Houve até professores querendo saber qual o valor hora das aulas em um nível acima.
O Projeto de Lei 469/11 que dispõe sobre a contratação de
Técnicos de Segurança está engavetado
E não poderia ter sido pior a maneira como a notícia apareceu nas mídias, um banner estampava o “fim do Técnico em Segurança do Trabalho”. 
Diante de tudo isso, me investi da experiência acumulada para emitir alguns palpites e para o meu “ponto de vista”. 
Vamos analisar algumas questões. 
Primeiramente, há projetos de lei ainda engavetados e que sequer foram levados adiante, como aquele da contratação de um técnico de segurança do trabalho por parte das empresas com mais de 50 funcionários. É o Projeto de Lei 469/11, em que as empresas com 51 a 100 empregados deverão contratar pelo menos dois técnicos; e com 101 a 200 empregados, três técnicos. Acima de 200, deverão contratar um técnico de segurança adicional para cada grupo de 150 empregados. (Matéria que saiu na Revista Proteção em agosto de 2011).
Agora outro projeto surge na esteira das modificações que podem ocorrer junto com a reforma trabalhista, uma reforma pouco discutida e “goela abaixo” da classe trabalhadora. Diante dessa realidade, também não me causa estranheza que o projeto possa ser empurrado na agenda do congresso nacional. 
O projeto de lei do deputado Bonifácio Andrada
criou polêmica esta semana
O Projeto de Lei 6179/2009, de autoria do deputado federal Bonifácio Andrada do PSDB de MG institui o bacharelado em Segurança do Trabalho, com um agente superior responsável pelas ações preventivas nas empresas. O referido curso teria currículo fixado pela Fundacentro, ao qual as instituições de ensino superior devem se adequar, e cujo acesso seria priorizado aos técnicos de nível médio já formados. 
Sou muito adepto da renovação, pois num mundo de transformações constantes era de se esperar que isso acontecesse. Desde os “Inspetores de Segurança” surgidos nas montadoras do ABC paulista na década de 1950 e com uma pequena capacitação para atuarem na prevenção e, posteriormente, no início da década de 1980, uma ampliação para seis meses de formação definida pela Fundacentro trouxe os “Supervisores de Segurança”. Por último, em 1986, um decreto presidencial (Decreto 92.530 de abril de 1986) definiu as atuações e a formação dos técnicos em segurança do trabalho com a mesma carga horária dos outros técnicos.
Em todas estas transições ocorridas ao longo das décadas, os profissionais que já possuíam formação na área, ou que estavam atuando na profissão, foram incorporados ou tiveram prazos de adequação. Ninguém foi alijado do processo. Portanto, não há motivos para pânico ou desespero, creio eu. (Um exemplo são os Auxiliares de Enfermagem citados na NR 04 – SESMT, que aos poucos foram substituídos pelos Técnicos de Enfermagem).
Outras carreiras sofreram transformações, com a gradativa
transição dos profissionais já formados
Portanto, CALMA MINHA GENTE... 
No tocante à aprovação deste Projeto de Lei 6179 que foi desengavetado, não acredito que aconteça tão cedo. O impacto de um projeto destes em pleno ambiente de crise é muito grande e vai suscitar inúmeras resistências por parte do empresariado nacional, bem como, dos sindicatos de técnicos por todo o país. E não vai ser uma mudança tão simples como se imagina. Há todo um sistema de formação que precisa se adequar a novas regras na educação superior, regras estas que necessitam ser estudadas e estabelecidas. 
Já para os profissionais que estão atuando, bem como, aqueles que estão em formação, hão de ter por direito o reconhecimento de seus esforços e de seus investimentos. 
Quanto à expectativa sobre a “nova carreira”, afirmo a todos vocês que sou um “entusiasta” da novidade. Minha percepção neste sentido é de muito "otimismo", pois prá quem é competente nada pode amedrontar. Conheço inúmeros alunos e alunas, principalmente aqueles formados nas escolas em que atuei e que atuo, que não terão nenhum dificuldade nesta transição. São profissionais competentíssimos no que fazem e certamente serão disputados no mercado.    
Já imaginava essa transformação, pois como docente há mais de quinze anos formando profissionais para o mercado, sempre acreditei na necessidade de um aprimoramento da carreira para outro nível. E parece que “a hora está chegando”. 

Mas sei que este sonho está um tanto distante ainda, me acreditem... Há muito o que se discutir para que a mudança ocorra efetivamente. Meu conselho é:
"KEEP CALM AND CARRY ON..."

09 setembro 2017

EDUCAÇÃO: NÚMEROS RELUZENTES, REALIDADES INDIGENTES

Ricardo Boechat foi um dos convidados
do SINEPE RS 
A primeira semana de setembro que se encerra neste sábado teve marcas muito gratificantes de conhecimento acumulado. E uma delas ocorreu na terça-feira, dia 05, quando me fiz presente no evento do SINEPE – Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul. O evento ocorreu no prédio 40 da PUC RS. Ali compareci sob os auspícios da Faculdade Factum para ouvir um “Talk Show” com o jornalista Ricardo Boechat, ancora do Jornal da Rede Bandeirantes. E o tema não podia fugir à nossa angústia diária: as denúncias de corrupção e as possibilidades para as eleições de 2018.

Neste cenário brasileiro trágico, Boechat iniciou destacando o quanto a sociedade brasileira tem modificado sua preferencia pelas informações da política. Segundo ele, ao abastecer o carro num posto de combustível foi indagado por um frentista: ”Mas você viu aquele Lewandowski? Será que ele tem razão?”. E ao adentrar o mercado pra comprar carne, veio o açougueiro lhe dizer: “Mas aquele Gilmar Mendes não dá pra aguentar, não é mesmo?” Isso demonstra que o povo tomou gosto pela informação.
A educação tem números reluzentes e realidades indigentes
Num segundo momento, o jornalista disse que as manifestações de 2013 definiram o impeachment, e causaram um “racha” de ideologias que se mantem até hoje. Para ele, o conflito está adormecido e deverá retornar em 2018, independentemente do “repolho” que seja eleito presidente nas eleições.
A educação é um componente fundamental na mudança do país, para Boechat, embora a pública esteja praticamente “destroçada”, principalmente por causa da realidade social atual. Neste momento ele destacou uma frase do senador Cristovam Buarque sobre a educação: “A Educação tem números reluzentes e realidades indigentes”. E o professor, profissional relevante neste segmento, consegue tão somente "sobreviver", tendo em vista os baixos salários e a falta de apoio. 
Numa crítica ácida sobre a realidade atual, o palestrante referiu que muito se tem falado de uma “educação do futuro”. Mas para ele, grandes valores se perderam da “educação do passado”, como algumas práticas importantes e uma postura de respeito à figura de referência em sala de aula: o professor. 
Para Boechat "as quadrilhas organizadas se apoderaram
dos espaços públicos"
Ao tratar da situação atual da sociedade brasileira, Boechat destacou que “o grande inimigo desta sociedade é o Estado Brasileiro, porque se apoderou com suas quadrilhas muito bem organizadas dos espaços públicos e fez deles sua propriedade”. Um destes exemplos atuais é a privatização da Eletrobrás, em busca de recursos para estancar as mazelas que o próprio Estado gerou com suas despesas. Segundo o jornalista, “É como vender a casa prá proteger o filho que vai prá boate todas as noites!”. 
Quase ao término, foi perguntado pela Irmã Cecília de uma escola local sobre o “Pacto Federativo”, que traga os recursos nacionais, e ao redistribui-lo deixa os municípios com o “pires na mão”, fazendo com que os prefeitos tenham que mendigar em Brasília. Boechat afirmou que a realidade brasileira se compõe de um “modelo piramidal”, em que a responsabilidade e a pressão popular na execução das políticas públicas e a arrecadação e os gastos públicos se mostram como figuras invertidas. (modelo abaixo)
Como o jornalista enxerga o Pacto Federativo brasileiro 
Ainda sobre o Pacto Federativo, o jornalista ressaltou que para cumprir o que foi pactuado com estados e municípios, “o problema não é o que está no papel”, mas sim no comprometimento dos políticos e na sensibilização humana dos resultados que se quer. E isso não acontece com a classe política neste momento. Há certamente interesses individuais em detrimento do coletivo, e os crimes de corrupção também se dão em âmbito estadual e municipal.
Ao se despedir, Boechat agradeceu o convite e destacou a alegria de retornar ao Rio Grande do Sul e novamente falar aos dirigentes de escolas e professores do ensino privado. Foi um evento gratificante que valorizou a semana.      

02 setembro 2017

AS CONSEQUÊNCIAS DO "JEITINHO BRASILEIRO"

Grande parte dos cidadãos brasileiros se mostram
preocupados com o futuro do país
Como a maioria dos cidadãos brasileiros de bem, estou preocupado com o futuro deste país, pois precisamos deixar algo substancial e de qualidade aos nossos filhos, aos nossos netos. E a realidade que se apresenta é incerta e repleta de interrogações. O comando da nação está nas mãos de pessoas de personalidade sórdida, e que tomam decisões que interessam tão somente a uma pequena minoria, e tudo em prol de seus interesses e dos interesses de seus pares. Sequer se mostram preocupados com a sociedade brasileira em geral.

Diante desta realidade, me resta entender como poderemos sair desta situação e chegar a um porto seguro. Para tanto, busco em opiniões diversas alguma “luz no fim do túnel”; em outras cabeças pensantes, uma orientação.

Jornalista Diego Casagrande 
Foi assim que esta semana me deparei com um artigo bem interessante, embora não seja adepto de certas opiniões do jornalista em questão. Mas o que trago a seguir, de autoria de Diego Casagrande, da Rede Bandeirantes do RS, resume em parte o que acontece atualmente.

Leiam e tirem suas próprias conclusões!    

"Um Jeitinho nada Bacana"

Talvez nunca como agora os brasileiros estejam tão indignados com seus políticos, juízes, empresários e funcionários públicos. É legítimo que estejamos nos sentindo esmagados pela corrupção, pelo desrespeito, pela desídia, mas o fato é que colhemos aquilo que sempre foi justificado por muitos como uma característica positiva da brasilidade, um tipo de temperamento único para resolver as coisas sem conflito, sem estresse, sem ruptura. Falo do jeitinho brasileiro, entranhado no DNA e na cultura nacionais.

A propina e a vantagem se 
institucionalizaram no país
Não cabe aqui discutir as origens de atitude tão pervertida, que embora pareça engraçadinha e seja aceita socialmente, é desprezível. Fato é que o pequeno agrado dado ao guarda ou ao fiscal difere pouco dos milhões pagos pelas empresas na operação Zelotes. O princípio de levar vantagem é o mesmo, mudando apenas a escala. Alguns dirão: “Questão de sobrevivência contra um Estado opressor”. Faria sentido se os brasileiros há tempos não tentassem levar vantagem sobre cidadãos iguais a eles. Virou uma selva.

É gente que não devolve o troco a mais, outros que furam a fila, tem aqueles que fraudam a passagem, há os que nas provas colam feito bicho, tem gente que pede para os outros baterem o ponto, há os que não cumprem o horário na repartição pública, e os que tomam na cara dura a vaga aguardada por outro no estacionamento do shopping lotado. E aqueles que compram produtos sabidamente roubados? E as grandes empresas de TV a cabo e telefonia? Quem nunca foi enrolado em cobranças a mais ou em uma via crucis para cancelar o serviço? E os governos? Bem, estes sim merecem um capítulo à parte. As prefeituras chegam ao cúmulo de arbitrar preços nos imóveis muito acima do mercado para arrecadar mais. É o “se colar, colou” disseminado de forma incontrolável em nosso país.

Funcionária da Assembleia do RS passeava com o
cãozinho durante o expediente

Muitas vezes vi intelectuais justificando que o jeitinho nos tornava menos rígidos, menos rudes e mais cordiais. O resultado está aí. O jeitinho brasileiro nada mais é do que uma forma de corrupção, tão abjeta quanto as demais.

Embora não perceba, hoje quando a população sente nojo dos políticos está se olhando no espelho. Somos um povo acostumado a tirar um naco de vantagem daqui, outro dali, e ir sobrevivendo. Problema é que o jeitinho virou um monstro a nos devorar. Vai ser difícil abatê-lo.

Fonte: Metro Jornal - 29/08/2017