Não é de hoje que se sabe que o Brasil é um dos países de maior carga tributária no mundo. E também não é difícil concluir que o retorno desses tributos em prol da população, revertidos sob a forma de serviços públicos como saúde, educação e segurança, é insignificante. Basta observar que cada vez mais a sociedade brasileira gasta com esses itens para ter um mínimo de conforto e segurança. Mas então onde vão parar esses recursos públicos valiosos, se não são investidos em saúde, educação e segurança? Não é muito simples deduzir, mas duas formas de desvio são comprovadas: primeiramente as despesas do país com uma imensidade de órgãos públicos de tremenda ineficiência e grandes cabides de emprego; em segundo lugar, os desvios do dinheiro público em obras sem qualquer controle e fiscalização, sendo este o cerne da corrupção que impera no país.
Com relação aos órgãos públicos e os gastos destes, basta observar a quantidade de ministérios que hoje a estrutura governamental possui. Nunca tivemos tantos ministérios. E por detrás de tudo isso, há toda uma estrutura administrativa que pesa no bolso do brasileiro, pois não há dinheiro que seja suficiente prá tamanha estrutura. Prá quem não sabe também, o Congresso Nacional brasileiro é um dos mais caros do mundo, pois temos a maior quantidade de deputados e senadores por habitante. Nem países como os Estados Unidos e Grã-Bretanha possuem estrutura tão grande e tão cara. Isso mesmo, os salários de nossos representantes são dos mais caros do mundo.
Com relação aos gastos públicos, os desvios são descomunais. E prá quem quiser se informar um pouco mais sobre o desvio de recursos públicos e a lavagem de dinheiro, basta ler a recente obra "A Privataria Tucana". É de sentir náuseas a leitura deste livro. Mas aproveito a oportunidade para divulgar o artigo publicado pelo Jornal Digital 247, e que mostra o resultado da pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) sobre essa questão dos tributos brasileiros e seu retorno à população brasileira.
A arrecadação de impostos no Brasil pode ser melhor investida em benefício da população, diz estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). De 30 países observados, o Brasil está na última posição no ranking sobre aproveitamento dos recursos arrecadados, inclusive entre os sul-americanos – Argentina e Uruguai. O primeiro colocado é a Austrália, depois vêm os Estados Unidos, a Coreia do Sul, o Japão e a Irlanda.
O presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, defendeu a redução da quantidade de impostos cobrados no país e o aperfeiçoamento na utilização dos recursos. Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Olenike disse que o resultado da pesquisa mostra que é necessário agir rapidamente.
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| O Impostômetro no centro de São Paulo |
“O Brasil, como potência que é hoje, economicamente, vem sendo o sexto maior em termos de PIB [Produto Interno Bruto] e em termos de crescimento econômico. Mas, ao mesmo tempo, não transforma isso em qualidade de vida para a população, o que é bastante lamentável”, disse Olenike.
O estudo analisou o comportamento dos consumidores e a aplicação dos recursos em 30 países. Pela ordem, os piores colocados no ranking são o Brasil, a Itália, a Bélgica, a Hungria e a França. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores consideraram a carga tributária de cada país, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e elaboraram o que foi chamado de Índice de Retorno de Bem Estar da Sociedade (Irbes).
De acordo com o IBPT, em 2011, o Brasil arrecadou cerca de R$ 1,5 trilhão em pagamentos de tributos. “Esse valor deveria voltar mais significativamente para a população”, defendeu Olenike. Segundo ele, um dos aspectos considerados graves pela pesquisa é que não há retorno em investimentos básicos para a população.
Olenike citou como exemplo serviços relativos à educação, saúde e segurança. De acordo com ele, a classe média se vê obrigada a complementar o que o Poder Público deveria arcar. “O pessoal da classe média é obrigado a pagar uma tributação indireta e complementar, [por exemplo, pagando] o plano de saúde privado”, disse ele, citando também escolas particulares e pedágios nas estradas.
Fonte: www.brasil247.com.br - acesso em 29.01.2012










































