Num ambiente desses não é difícil ocorrerem frustrações, tanto de um lado quanto de outro. Entender que somos feitos de “carne e osso”, submetidos a conflitos cotidianamente, e aos quais reagimos de acordo com nosso aprendizado, é empreita

De uma coisa há a certeza. Somos seres humanos com falhas, com as quais devemos saber lidar e tirar lições. Todavia, sem nunca desconsiderar o respeito que cada um deve ter pelo outro. E isso também se deve analisar no comportamento discente. Cada dia é uma realidade diferente. Todos, alunos e professores, sofrem os impactos de uma sociedade massacrada pelo imediatismo, pelo consumismo e pelo egoísmo; predicados esses propagados sorrateiramente na mídia televisiva.
Alunos de hoje sabem muito bem quais são seus direitos, enquanto aprendizes; assim como, professores sabem quais são seus deveres, enquanto propagadores do conhecimento e formadores de futuros profissionais. Mas parece que alguns conteúdos que deveriam se fazer presentes em sala de aula, são atualmente considerados pelos alunos, bem como pelos pais, inúteis ou imprestáveis. Especialmente no ensino profissionalizante se observa uma realidade, a busca discente por conteúdos aplicáveis, ou seja, um espécie de utilitarismo, nos moldes preconizados por Bentham (1748 – 1832) e Stuart Mill (1806 – 1873). Em Economia, o Utilitarismo pode ser entendido como um princípio ético no qual o que determina se uma decisão ou ação é correta, é o

Mas o que mais tem emprestado dificuldade à atuação docente nos tempos atuais é a reprovação. Na pós-modernidade em que vivemos, nada pode ficar sem justificativas, principalmente quando se trata de tornar conhecido ao aluno a sua deficiência ao não desenvolver as competências necessárias para seguir adiante. Mesmo que nos apossemos de argumentos fortes, arrazoados por números e evidências, o aceite não acontece nem de imediato, nem a médio prazo. A reprovação parece sempre emplacar na incompetência docente, nunca na letargia ou na modorra do aluno. Embora alertados previamente, se surpreendem com o resultado final e se investem de grande hostilidade quando notificados da reprovação. Alguns inclusive se expressam em tom alterado e, muitas vezes, sem qualquer inibição, são capazes de ameaças pessoais ou por correspondência ao professor.
Diante dessa comprovação, observa-se que alguns docentes têm adotado uma postura um tanto confortável, e até porque não dizer covarde. Para não se comprometerem ou na manutenção da imagem que possuem perante a turma, acolhem o comportamento errôneo do aluno e fazem “vista grossa”. Não assumem a responsabilidade imbuída na profissão e aderem ao contexto da homologação e do louvor. Alguns até possuem convite permanente para paraninfar.
Acredito que o papel docente transcende a formação e a formatura, pois os verdadeiros mestres serão lembrados inclusive pela reprovação, quando assumiram com coragem o papel de incutir nos alunos a necessidade de maior doação, maior atenção e maior comprometimento. Falava eu certo dia desses com um colega de escola técnica de Porto Alegre, pelo qual tenho grande apreço e admiração, e que compartilha comigo as dificuldades do ofício. Me dizia ele: “Jairo, você acredita que fui chamado pela direção da Escola porque o conteúdo abordado não estava no programa da disciplina? Mas será que a ciência pedagógica está regredindo,

Educar é um ato muito sério! Por isso, não há espaço para improvisos e amadorismo. Professores e Professauros, obra do professor Celso Antunes, em sua Parte I, traz contribuições importantes sobre o significado de educar. Aconselho a leitura e reflexões demoradas sobre nossa atuação docente.
Quem ainda lembra de Pitágoras (571 a.C. – 497 a.C.) e suas sábias palavras?: “Eduquem-se as crianças e não será preciso castigar os homens.” Embora antigas, se pode tirar muitas lições dessa reflexão.
Um comentário:
Meu prezado colega Prof. Jairo,
mesmo encimado com uma mensagem de ‘fui de férias’ teu blogue num período que avaliações são distantes nos chama a sábias reflexões. Permito-me ratificar a pitágorica sentença “Eduquem-se as crianças e não será preciso castigar os homens. que mesmo sendo 2.500 anos AP tem vibrante atualidade.
Um muito bom domingo
attico chassot
http://mestrechassot.blogspot.com
www.atticochassot.com.br
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