
Minhas últimas experiências na participação de equipes de produção de publicações me mostraram o quanto isso é edificante. Recentemente, acompanhei como leitor crítico a obra do professor Attico Chassot, "Sete Escritos sobre Educação e Ciência", lançada pela editora Cortez em meados de 2008. O convite feito pelo professor Chassot, para que, de forma inédita, conhecesse o conteúdo de sua obra, me trouxe orgulho e satisfação. Principalmente, por ser um admirador de sua atuação em prol da educação e da ciência. Em 2006, fiz parte do Grupo de Gestão do Ambiente do Trabalho, sob o comando da Drª Beatriz Santos Gomes e da coordenadora técnica, Engª Aida Cristina Becker, na elaboração do "Manual de Segurança em Prensas e Similares". Este manual foi uma publicação do CONTRAB em parceria com a FIERGS. Até hoje há manifestações enaltecedoras pelo conteúdo e pela apresentação da publicação, embora dentro do grupo minha tarefa tenha sido a de mero revisor gramatical.
Todavia, o elogio que aqui estou tecendo para a publicação da SRTE/RS também não é sem embasamento. Além de trazer descrições sucintas e bem fundamentadas para o entendimento dos acidentes ocorridos e os fatores que os motivaram, a publicação adota uma metodologia adequada no tratamento dos eventos. Cada um deles traz a descrição do acidente, seus fatores causais, as condutas da Auditoria Fiscal e a conclusão a respeito. Tal forma permite que o conteúdo se encaixe em qualquer sala de aula, seja em cursos técnicos onde atuamos, seja em outros ambientes onde se busque ampliar o conhecimento de saúde e prevenção.
Durante a leitura chamou minha atenção alguns índices, como o da distribuição dos acidentados segundo o tipo de ocupação. Segundo a publicação, assim estão constituídas as estatísticas de acidentados dos cinco grupos de maior evidência (ago/2001 - de/2007), de acordo com o Cadastro Brasileiro de Ocupações - CBO:
a) Grupo 95 - Trabalhadores da Construção Civil - 33,63%
b) Grupo 85 - Eletricistas, Eletrônicos e Assemelhados - 8,52%
b) Grupo 85 - Eletricistas, Eletrônicos e Assemelhados - 8,52%
c) Grupo 62 - Trabalhadores Agropecuários Polivalentes e Assemelhados - 5,83%
d) Grupo 99 - Trabalhadores Não Classificados sob outras Epígrafes - 5,83%
e) Grupo 72 - Trabalhadores Metalúrgicos e Siderúrgicos - 5,38%

Um outro destaque da obra para os eventos fatais e a pouca experiência dos acidentados. Segundo ela, na página 36, a inexperiência do recém-contratado tem relação com vários motivos: ignorância do processo e da organização do trabalho, desconhecimento do sistema de gestão de riscos, falta de vivência na tarefa, falta de relacionamento com os colegas para compartilhar situações de risco e planos de emergência e o desconhecimento da eficácia do sistema de manutenção de máquinas e equipamentos. E normalmente, é essa a abordagem reducionista imputada ao trabalhador acidentado.
Finalmente, o capítulo IV da publicação se detém na questão dos acidentes com crianças e adolescentes, muito comum quando alguns segmentos se apropriam de mão-de-obra farta e disponível em tempos de prosperidade. Segundo dados referidos na obra, extraídos do IBGE, em 2006, 320.000 crianças e adolescentes na faixa etária de 5 a 17 anos trabalhavam no RS. Ou seja, 13,3% da população de crianças e adolescentes. Na página 64, uma referência a características desta mão-de-obra chama a atenção.
Finalmente, o capítulo IV da publicação se detém na questão dos acidentes com crianças e adolescentes, muito comum quando alguns segmentos se apropriam de mão-de-obra farta e disponível em tempos de prosperidade. Segundo dados referidos na obra, extraídos do IBGE, em 2006, 320.000 crianças e adolescentes na faixa etária de 5 a 17 anos trabalhavam no RS. Ou seja, 13,3% da população de crianças e adolescentes. Na página 64, uma referência a características desta mão-de-obra chama a atenção.
...em relação aos adolescentes, o que se observa é uma tentativa de atribuir-lhes responsabilidades para as quais não estão preparados, ainda que possam parecer adultos devido ao crescimento intenso e acelerado próprio da faixa etária.
Assim, distração, inquietude, impulsividade, tendência a entediar-se e mesmo variados graus de irresponsabilidade são características biológicas normais na adolescência, da mesma forma que na infância. Responsabilidade é um atributo que depende fundamentalmente da capacidade de abstração, de forma que possam ser avaliadas as consequências futuras de nosso atos (ou seja, de "consultar o futuro"). As estruturas cerebrais que nos permitem realizar abstrações passam por grande desenvolvimento no período de adolescência, mas só atingem a maturidade na idade adulta.

Bem, esta foi tão somente uma pequena amostra da obra que li durante minhas férias, e cujo conteúdo resolvi compartilhar com vocês. Tenho a certeza de que a mesma será peça importante em minha atuação docente em 2009. Espero que para vocês também tenha sido significativa a leitura destes parágrafos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário