26 dezembro 2016

O QUE COMER EM 2017



Que tal começar 2017 com uma mudança na alimentação?

A edição desta semana chega meia tardia, por causa de uns compromissos inadiáveis. Mas resolvi trazer alguns cuidados para sua alimentação em 2017, mesmo que neste momento o que prepondere seja alguns exageros. Fica sempre a promessa de que “no ano que vem, tudo será diferente”. Portanto, segue algumas dicas da jornalista Juliana Carreiro, do Estadão, no seu Blog “Comida de Verdade”.

1 – Tome mais água

Sempre ouvimos falar que precisamos tomar no mínimo 1 litro e meio de água por dia. Entre os brasileiros este também não é um hábito muito difundido. Infelizmente, muitos preferem matar a sede com sucos industrializados, refrigerantes ou bebidas alcoólicas. Além de pouparem o organismo dos benefícios da água, o estão sujeitando aos malefícios destes substitutos. Este líquido neutro e universal regula todas as funções do nosso organismo, é um dos ítens mais importantes para a eliminação de toxinas e para o bom funcionamento do intestino, que por sua vez, irá comandar todo o resto.

Os alimentos industrializados podem conter aditivos químicos
2 – Diminua o consumo dos ultraprocessados

Bolachas recheadas, salgadinhos, carnes embutidas, refrigerantes, temperos e caldos prontos, macarrão instantâneo… estes alimentos ultraprocessados são os grandes vilões. Não se pode ignorá-los porque o seu consumo tem aumentado a cada ano em nosso País e suas altas quantidade de açúcar, sódio, gordura e aditivos químicos têm causado diversas doenças em adultos e crianças por aqui. Falta de tempo para cozinhar, preço baixo, acesso fácil, prazer, sempre há um argumento para justificar o seu consumo e quanto mais eles frequentam a rotina das pessoas, mais resistência estas pessoas têm em diminuir este consumo. Se você é uma delas, fique atento. Estes produtos são quimicamente construídos para gerar uma certa ‘dependência’ e quanto mais você tiver contato com eles, mais vai querer ter.

3 – Coma mais frutas, verduras e legumes

Parece que o aumento do consumo dos ultraprocessados está diretamente ligado à queda do consumo de frutas, verduras e legumes. Os argumentos para essa ‘substituição’ são quase os mesmos: falta de tempo para cozinhar e para comprar comida fresca, alto custo, paladar difícil de ser aceito. Com um pouco mais de organização, interesse e vontade é possível aumentar a quantidade de frutas e hortaliças frescas consumidas na sua rotina. O paladar pode ser exercitado, basta querer. Com pequenas mudanças na sua rotina alimentar você terá acesso aos inúmeros benefícios que os alimentos naturais têm a nos oferecer. Assim como a água, eles irão ajudar na regulação de todas as funções do nosso organismo. 
 
Nada substitui o tradicional feijão com arroz
4 – Volte a comer ‘comida de verdade’

Parece que os conceitos alimentares aprendidos com as nossas avós, tem sido cada vez mais esquecidos, mas isso não deveria acontecer. ‘Sente e coma com calma’, ‘Não beba líquido durante as refeições’, ‘Tenha cinco cores no seu prato’. Estes sábios conselhos resumiam o ideal de uma rotina alimentar balanceada com representantes de todos os grupos: carboidratos, proteínas, leguminosas, óleos e gorduras (boas) e frutas e hortaliças. Encontramos na natureza representantes de todos estes grupos. As raízes, que podem fazer o papel de carboidratos, como a batata doce, o inhame, a batata inglesa, ou que podem ser a matéria prima para eles, como a mandioca, que se transforma, em polvilho, em tapioca… As proteínas podem ser de origem animal ou não, aqueles que optam por não consumir estes produtos, podem encontrá-las em cereais, como a quinua e até na combinação de cereais mais populares com as leguminosas, o famoso arroz com feijão. Os óleos e gorduras boas devem estar na nossa rotina alimentar, pode ser na forma de azeites, manteiga, peixes, oleaginosas e até no abacate. O importante é resgatar o hábito de comer ‘comida’, principalmente durante a semana. Aos finais de semana você pode procurar aquilo que lhe dará mais prazer: pizza, sanduiche, sorvete, pipoca, batata frita, pastel…mas se forem a base da sua alimentação, se consumidos todos os dias, logo a conta vai chegar.

5 – Não embarque nas dietas da moda

Algumas dietas contrariam a visão dos nutricionistas
Há dietas mágicas que prometem acabar com o seu excesso de peso e aumentar a sua massa muscular. Todavia, muitas delas tendem a excluir algum grupo alimentar, o que vai gerar um desequilíbrio no organismo e o resultado deste desequilíbrio nunca será positivo, ainda que a balança diga o contrário. Perder peso rapidamente depois de um período de muitas restrições não é sinônimo de emagrecimento saudável e duradouro. Se é isso que você busca, fuja de qualquer tipo de radicalismo, não pule nenhuma refeição, não fiquei muitas horas em jejum, nem passe fome. Cuidado com as ‘pegadinhas’ da indústria alimentícia. Na hora de escolher um alimento industrializado fique atento aos termos ‘integral’, ‘menos sódio’, ‘ligth’, ‘diet’, ‘zero gordura trans’. Nem sempre eles são verdadeiros e ainda que sejam, não significa que nos serão benéficos. Na dúvida, diminua o consumo deles. 

6 – Tome cuidado com o excesso de açúcar, principalmente entre as crianças


De acordo com o Ministério da Saúde, 72% dos bebês brasileiros com menos de 1 ano já consomem bolacha recheada com frequência. Este é apenas um entre tantos exemplos que contrariam uma das principais recomendações dos Guias de Pediatria, de só se oferecer açúcar depois do primeiro ano de vida. Hoje os bebês são apresentados à substância bem mais cedo do que isso, em casa, nas creches ou nas escolinhas. O consumo excessivo de açúcar é tão prejudicial para todos nós e, principalmente, para eles. E como ele está sempre presente nas mãos dos pequenos. Esta relação tão próxima é um das principais responsáveis pela dificuldade de se introduzir alimentos mais naturais no cardápio deles e esta resistência poderá acompanhá-los pelo resto da vida e ser a causa de muitos de seus problemas de saúde.
O leite também pode ser excluído da alimentação de adultos


7 – Diminua o consumo do leite de vaca e dos seus derivados

O leite de vaca e seus malefícios sempre gera polemicas e resistência de um grande número de leitores. Mas há os leites vegetais, que são ótimos substitutos, e que podem melhorar o cardápio. Aqueles que conseguem diminuir o seu consumo não estarão abrindo mão do cálcio, que tem nas verduras fontes muitos melhores do que o leite. Há diferenças entre alergia e intolerância ao leite e sobre a confusão que se faz com a lactose e as suas proteínas. Os brasileiros aumentaram muito o consumo do leite e de seus derivados nas últimas décadas e o excesso destes alimentos causa diversas reações negativas ao organismo, que variam de acordo com a nossa individualidade, mas podem ir desde inflamações no sistema respiratório, como rinite, sinusite, bronquite, até gastrite, ansiedade, distúrbios de comportamento, enxaqueca crônica e obesidade, entre muitos outros males.

8 – Reduza também o glúten

Assim como o leite de vaca, o glúten, principal proteína do trigo, também é uma grande fonte de inflamações no nosso organismo. Seu consumo também aumentou muito nas últimas décadas e também senti muita resistência de uma parte dos leitores quando toquei neste assunto. O trigo consumido nas décadas de 60 e 70 passou por diversas modificações até se transformar no que consumimos hoje, que é muito mais prejudicial. Alguns alimentos podem substituí-lo e ainda agregar nutrientes e fibras à nossa rotina alimentar. Procure opções em tipos de pizzarias, lanchonetes, praças de alimentação e até em padarias, que preferem tirá-lo do cardápio.

Cuidar do intestino é fundamental para a boa saúde
9 – Cuide do seu intestino

Se você seguir todos os conselhos acima pode ficar tranquilo que o seu intestino estará funcionando perfeitamente. Mas se não estiver, é preciso ficar atento. O bom funcionamento intestinal é determinante para a grande maioria das nossas funções físicas, mentais e emocionais. Por isso ele é chamado de ‘segundo cérebro’ e para alguns especialistas até de ‘primeiro cérebro’. Para mantê-lo saudável basta manter uma rotina alimentar balanceada. Algo que parece simples, mas infelizmente, não é. Então que tal reservar um tempo esses dias para repensar a sua alimentação e dedicar mais tempo a ela em 2017? Você pode começar pelo próximo e último ítem da lista.  

10 – Dê preferência aos orgânicos

As dicas são da jornalista Juliana Carreiro
Não podemos ignorar os inúmeros estudos a respeito dos efeitos nocivos dos agrotóxicos no nosso organismo. Os alimentos orgânicos aparecem como uma excelente opção para a nossa saúde, porque são ricos em nutrientes, diferentemente dos produzidos em larga escala, e porque são isentos destes produtos venenosos. Além disso, dão trabalho a milhares de famílias de pequenos produtores Brasil afora e ainda preservam o solo e as águas ao seu entorno. Então por que ainda sofrem tanta resistência? O custo e a pouca oferta são alguns dos principais empecílhos para o aumento do seu consumo. Mas, o custo destes alimentos tem caído a cada mês e muitas vezes se aproxima ou se iguala ao dos tradicionais. A oferta de feiras específicas ou até a presença deles em supermercados comuns também tem aumentado. Espero que no ano que se inicia este consumo cresça a cada dia, gerando um ciclo virtuoso muito necessário para a nossa saúde e para o planeta. 

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