É muito importante e gratificante cumprimentar amigos pelos seus aniversários |
Aprendi com os meus pais, e a boa educação aconselha
que, toda vez que alguém faça aniversario, é de bom grado cumprimentar o aniversariante.
Não se deve ser mal educado com quem completa mais um ano de vida. Mas isso,
desde que sejam pessoas do nosso círculo de amizades ou de parentesco. Embora
haja alguns conhecidos meus que sequer cumprimentam a sogra quando ela
aniversaria. Da minha, todavia, não tenho queixas, e sempre que posso
cumprimento a Dona Alzira.
Mas neste final de semana, uma outra senhora bem
conhecida de muitos de nós está completando cinquenta anos. Nem sei se devo chamá-la
assim, pois eu nasci antes dela. Ela foi e continua sendo bastante importante
para muita gente. Nascida em 26 de abril de 1965 no Rio de Janeiro, desde cedo se envolveu com pessoas
importantes. Fez sucesso nas altas rodas de conversa, onde se discutia arte,
sociedade, negócios e principalmente, política. Em tempos de outrora, esta
senhora foi bem mais importante para mim, quando eu ainda tinha pouco senso crítico
e me deixava convencer por quase tudo que ela argumentava. Mas hoje, tenho
severas restrições aos conteúdos de suas conversas, de coisas que continua insinuando
para tentar me convencer.
Já conseguiram desvendar de quem estou falando? Se
não, vou revelar agora o nome desta cinquentenária: Rede Globo de Televisão.
Não bato palmas e nem acendo velinhas para ela.
Reconheço algumas contribuições que tenha trazido em termos de qualidade
profissional para o cenário da comunicação brasileira, e também por alguns programas
bem conduzidos por profissionais competentes que dela fizeram/fazem parte.
Todavia, não se deve esquecer do quanto esta senhora
fez e faz mal ao nosso país. Não é à toa que alguns profissionais da emissora
tem sido hostilizados constantemente em coberturas jornalísticas, com
equipamentos depredados ao coro de: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. A
“Venus Platinada”, como ficou conhecida na década de 1970, de há muito elabora
suas pautas jornalísticas de acordo com sua conveniência, ou daqueles que a assessoram
e apoiam. Tem bons laços políticos e tramita com desenvoltura nesta seara. Já
foi capaz de esconder fatos relevantes em suas coberturas nacionais, e também
criar factoides em proveito próprio, beneficiando-se da alta audiência que a
fez e faz proprietária incondicional dos horários denominados “nobres” da televisão
brasileira, e que infelizmente continua catalisando a maioria da população menos
informada e, por consequência, menos crítica.
Em programa de entrevistas, Boni confessa ter manipulado o debate para presidente em 1989 |
Quem é do meu tempo sabe do que estou falando, e certamente vai concordar comigo, dentro daquela ótica: “Quem não te conhece, que te compre!”.
Por detrás da “inocência” de um capítulo de novela, no “editorial” bem arquitetado
de um de seus jornais televisivos, nos programas de auditório com cenários hollywoodianos,
muitas mensagens subliminares fizeram do subterfúgio uma realidade. E nisso,
essa senhora tem “doutorado”. Basta que se vejam as declarações de um de seus
arquitetos sobre as eleições de 1990, na disputa Collor e Lula. O grande
coronel da administração global, Boni, em entrevista ao programa “Dossiê” do
canal fechado Globo News, declara ter manipulado o debate entre os candidatos.
O vídeo pode ser visto em https://www.youtube.com/watch?v=VrpurEkmJkU.
Um dos momentos que mais me chamou a atenção, e
certamente marcou o cenário político, foi quando Leonel Brizola assumiu o
governo do Rio de Janeiro, e de imediato, sabedor das mazelas da Globo,
declarou guerra aberta à emissora. Durante a campanha para o governo estadual,
a empresa de comunicação carioca lançou mão das estratégias mais absurdas para
demovê-lo da candidatura e prejudicá-lo. Uma frase nos comícios do candidato
ficou famosa à época: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar
diante de qualquer situação, atentem. Se a Rede Globo for a favor, somos
contra! Se a Rede Globo for contra, somos a favor!”
Os irmãos do clã Marinho defendem o patrimônio herdado do pai Roberto |
Enfim, teria muitos outros fatos a comentar nesta edição
que quer “comemorar”, ou melhor seria, “analisar”, estes cinquenta anos da Rede
Globo. Mas bastam alguns poucos olhares para enxergar com ceticismo e desconfiança a
festa cinquentenária desta senhora. No dia 22 de agosto de 2014, em denuncia
publicada no jornal digital “Brasil 247”, os irmãos Marinho se utilizaram do “Refis”,
programa de recuperação fiscal que prevê o perdão de dívidas com a Receita
Federal, para pagarem 1 bilhão de reais de valores não recolhidos. A notícia
pode ser lida em http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/155730/Ap%C3%B3s-aderir-ao-Refis-Globo-pagou-R$-1-bi-em-impostos-atrasados.htm.
Também o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, denunciou uma artimanha
da Mesa do Senado e do Ministério da Fazenda ao sonegar informações financeiras
solicitadas por ele sobre a Rede Globo, e que pode ser vista no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=npo5Lpyuw8s.
Senador paranaense quer explicações sobre a Globo |
Diante de tudo isso, e que é bem pouco por tudo que sei e que ao longo destes anos foi publicado sobre esta senhora, para mim, não há motivos para comemorar seu cinquentenário, muito
menos “acender velinhas” ou “bater palmas”. Devo, sim, como cidadão crítico e
consciente do que é bom e do que é ruim para o meu país, analisar a realidade de
todos aqueles que sofreram por causa de notícias infundadas e arranjadas da
Rede Globo; ou que, pelas intervenções e influencias desta rede de comunicação
junto aos órgãos de poder, deixaram sem vez e sem voz muita gente boa que viveu
nestes cinquenta anos.
Um comentário:
Meu caro Jairo,
já li teu texto acerca dos 50 anos da platinada no domingo. Faltou-me tempo para comentar. Vi listas de 19 razões pra nã se comemorar este aniversário.
Elegi um: Manipulação do debate Collor x Lula
Na eleição de 1989, a primeira pelo voto direto para presidente da República desde 1964, a TV Globo manipulou o debate entre o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva e o do PRN, Fernando Collor. O debate era o último e decisivo antes da eleição. No telejornal da hora do almoço, a TV Globo fez uma edição equilibrada do debate. Para o Jornal Nacional, houve instruções para mudar tudo e detonar Lula. Foram escolhidos os piores momentos de Lula e os melhores de Collor. Ainda foram divulgadas pesquisas feitas por telefone segundo as quais Collor havia vencido. Além disso, o jornalista Alexandre Garcia leu um editorial nitidamente contra Lula e o PT.
Desde então, pesquisas e estudos sobre este “caso clássico de manipulação da mídia” têm sido feitas no Brasil, destacando-se as realizadas pelo sociólogo, jornalista e professor aposentado da UnB Venício A. Lima.
Apesar dos esforços da TV Globo para manter a versão de que a edição deste debate foi equilibrada, novamente seu ex-diretor José Bonifácio Sobrinho contribuiu para derrubá-la. Depois de abordar o assunto em entrevistas à imprensa, por ocasião do lançamento de seu livro de memórias, o ex-dirigente global deu entrevista à própria GloboNews, canal pago da emissora, na qual admitiu, para o jornalista Geneton Moraes Neto, que, durante os debates da campanha presidencial transmitidos pela Globo em 1989, tentou ajudar o candidato alagoano. Para muitos, Boni só fez esta “revelação bombástica”, que quase todos já sabiam, para tentar promover seu livro, como contas no teu blogue..
Lembro bem daquele infame debate...os olhos cocainômanos do Collor, a mediação no estilo "segura-que-ele-bate", e, uma vez eleito o pimpolho globético, o confisco das poupanças pela dona Zélia...
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